O Ibovespa avançava mais de 1% nesta quarta-feira (19), apoiado principalmente pela alta de Petrobras e Vale, pela melhora do ambiente internacional e pela queda dos juros futuros no Brasil. Às 10h10, o índice subia 1,48%, aos 168.802 pontos, enquanto o dólar à vista recuava 1,11%, a R$ 5,1636. O movimento mostra uma reavaliação positiva dos ativos brasileiros antes da divulgação da ata do Federal Reserve, prevista para as 15h.
Petrobras e Vale lideram a recuperação da bolsa
A alta das ações de Petrobras e Vale dá força ao índice porque as duas empresas têm grande peso na composição do Ibovespa. A Petrobras acompanha as expectativas para o mercado de petróleo, enquanto a Vale reage às perspectivas para o minério de ferro e para a demanda global por metais.
O avanço ocorre em um pregão de maior apetite por risco no exterior. Quando investidores ficam menos preocupados com conflitos, tarifas comerciais ou a trajetória dos juros americanos, tendem a buscar ativos de mercados emergentes, como ações brasileiras e moedas desses países.
Queda dos juros futuros melhora a percepção sobre ações
Os juros futuros são as taxas negociadas para períodos adiante e refletem as expectativas do mercado para a política monetária, a inflação e o risco fiscal. A queda dessas taxas reduz o retorno exigido para investir em empresas e pode elevar o valor presente dos lucros esperados, especialmente em companhias mais sensíveis ao custo de capital.
O movimento também muda a comparação entre bolsa e renda fixa. Com taxas futuras menores, títulos pós-fixados e outras aplicações ligadas aos juros podem oferecer menor retorno esperado adiante. Isso não significa que a renda fixa deixe de ter espaço, mas ajuda a explicar por que as ações ganham força em determinados pregões.
Dólar recua com melhora do ambiente internacional
O dólar caiu diante do real acompanhando a perda de valor da moeda americana no exterior. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,56%, aos 99,099 pontos, no mesmo horário.
Além de favorecer empresas brasileiras com dívidas ou receitas em moeda estrangeira, um real mais valorizado pode aliviar parte da pressão sobre produtos importados e insumos cotados em dólar. O efeito sobre os preços ao consumidor, porém, depende da duração do movimento e da transmissão para a economia.
Ata do Fed pode recalibrar as apostas para os juros
A ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, será observada em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária. Em julho, o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mas registrou a maior dissidência entre seus dirigentes em uma década.
Antes da abertura dos mercados, a ferramenta FedWatch indicava 67,2% de probabilidade de manutenção da faixa atual na próxima reunião. Para dezembro, a chance de alta era estimada em 65,4%. Mudanças nessas apostas podem afetar o dólar, os juros brasileiros e o fluxo para a bolsa.
Inflação, Ormuz e os riscos para o restante do dia
A segunda prévia de agosto do IGP-M, conhecido como inflação do aluguel, registrou queda de 0,36%, após recuo de 1,11% na segunda prévia de julho. O resultado foi influenciado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo, cuja alta passou de 1,72% para 0,50%. Já o custo da construção acelerou, com o INCC-M subindo 0,73%, contra 0,66% na leitura anterior.
No exterior, os investidores monitoram o tráfego no Estreito de Ormuz, rota relevante para o transporte de petróleo. Seis navios de carga cruzaram a passagem na terça-feira, ante nove na segunda e média diária de 11 nos dez dias anteriores. O petróleo devolvia parte dos ganhos recentes, mas permanecia acima de US$ 90 pela primeira vez desde julho.
Também influenciam o mercado a suspensão, por três dias, das tarifas americanas de 50% sobre produtos do Canadá e a proposta não vinculante da JBS para comprar as ações ordinárias restantes da Pilgrim’s Pride, empresa na qual já detém 82%. Para quem investe, consome ou trabalha, o próximo ponto de atenção é a ata do Fed e a reação dos juros e do dólar, enquanto a bolsa permanece sujeita às oscilações de commodities e das negociações no Oriente Médio.
Impacto para a sociedade
A melhora do humor externo e a queda dos juros futuros podem reduzir o custo esperado de financiamento para empresas e consumidores, embora isso não altere imediatamente as taxas cobradas pelos bancos. O petróleo acima de US$ 90 e o movimento do dólar também entram no radar porque podem afetar combustíveis, inflação e o custo de produtos importados no Brasil.
