O Ibovespa acumulou alta de 69,96% no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva até 15 de setembro de 2026, quase o triplo dos 24,86% registrados durante o governo Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022. O levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que a vantagem também apareceu em vários investimentos de renda fixa e variável, embora a comparação envolva períodos de duração diferente e atravesse condições econômicas distintas.

Dividendos e fundos imobiliários também superaram o período anterior

O IDIV, índice que reúne ações com destaque no pagamento de dividendos, avançou 82,78% no governo Lula 3, contra 51,51% na gestão Bolsonaro. O resultado indica que, além da valorização dos preços das ações, empresas distribuidoras de proventos tiveram desempenho acumulado mais forte no período atual.

Entre os fundos imobiliários, o IFIX subiu 30,61% desde o início do terceiro mandato de Lula, ante 21,92% nos quatro anos de Bolsonaro. O índice acompanha uma carteira de fundos negociados na B3, cujos preços podem reagir às perspectivas para juros, atividade econômica e renda gerada por imóveis.

BDRs tiveram alta de 148,63% no terceiro mandato

O BDRX, indicador dos BDRs — recibos negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras — acumulou ganho de 148,63% no governo Lula 3. No governo Bolsonaro, a alta havia sido de 100,91%.

O desempenho desses ativos não depende apenas do mercado brasileiro. As cotações também refletem o comportamento das ações no exterior e do câmbio, já que os BDRs representam empresas estrangeiras. Assim, a variação do real diante de outras moedas pode influenciar o resultado em reais.

Bitcoin e ações menores foram exceções

A vantagem do governo Lula não se repetiu em todos os ativos. O Bitcoin valorizou 342,86% no terceiro mandato, abaixo dos 495,58% acumulados durante o governo Bolsonaro. A criptomoeda costuma apresentar oscilações intensas e é influenciada por fatores globais, como liquidez, apetite por risco e expectativas regulatórias.

O índice de Small Caps, formado por ações de empresas de menor valor de mercado, também teve resultado ligeiramente superior no período anterior: alta de 11,87% no governo Bolsonaro, contra 10,85% no governo Lula 3. Esses papéis tendem a reagir mais aos juros elevados porque empresas menores geralmente dependem mais de crédito e têm menor acesso a financiamento.

Juros altos elevaram o retorno da renda fixa

Na renda fixa, o CDI acumulou 57,46% no terceiro governo Lula, ante 27,79% nos quatro anos de Bolsonaro. O indicador acompanha de perto a Selic e serve como referência para diversos investimentos, como títulos pós-fixados e alguns produtos bancários.

A Selic permaneceu acima de 10% durante todo o mandato de Lula até o período analisado, em um nível superior ao observado em boa parte do governo Bolsonaro. Juros maiores aumentam o custo do crédito e podem reduzir o consumo e o investimento, mas elevam a remuneração de aplicações atreladas às taxas de mercado.

O que os números significam para os próximos meses

O IMA-Geral, que acompanha o desempenho de títulos públicos, registrou retorno de 51,20% no governo Lula 3, contra 31,57% no governo Bolsonaro. O IPCA acumulou 17,90% no período atual, abaixo dos 26,93% da gestão anterior, enquanto o dólar Ptax caiu 1,32% no governo Lula e subiu 34,66% no governo Bolsonaro. O euro avançou 6,71% e 25,47%, respectivamente.

Os dados são retornos acumulados, e não uma previsão para o futuro. Além disso, o período de Bolsonaro incluiu a pandemia de covid-19, que provocou forte volatilidade nos mercados. Para quem investe, trabalha ou consome, a evolução da Selic, da inflação e do câmbio continuará sendo determinante para o custo do dinheiro, o poder de compra e o desempenho dos ativos.

Impacto para a sociedade

A comparação também ajuda a entender o ambiente de juros e inflação que afeta o dia a dia. A Selic acima de 10% encarece empréstimos e financiamentos, mas aumenta o rendimento de aplicações atreladas ao CDI; já o câmbio influencia preços de produtos importados e componentes usados no Brasil.