O Ibovespa acumula queda de 6% em agosto e se aproxima da décima sessão consecutiva de baixa, o que representaria a pior sequência negativa desde 2023. A deterioração concentra a atenção em um mercado que ainda mantém uma tendência positiva no longo prazo, mas perdeu força nos horizontes mais curtos e pode testar níveis inferiores caso não apareçam sinais de reação.
Queda ganhou força no curto e no médio prazo
Para Lucas Costa, responsável pela equipe de análise técnica do BTG Pactual, a tendência de longo prazo do índice continua positiva, embora tenha perdido momento. Já as tendências de médio e curto prazo viraram para baixo e vêm acelerando, caracterizando uma correção mais intensa das altas anteriores.
Na análise técnica, a direção dos preços é observada em diferentes períodos para identificar se um movimento é apenas pontual ou se está se consolidando. Neste caso, a leitura indica que a pressão vendedora deixou de ser um ruído isolado dos últimos pregões e passou a afetar referências importantes do gráfico.
Região de 168,5 mil pontos é o primeiro teste
O Ibovespa opera próximo da média móvel de 50 semanas, na região dos 168,5 mil pontos. Esse indicador calcula a média dos preços em um período prolongado e é usado como referência para avaliar a sustentação de uma tendência. Por isso, a faixa atual é vista como uma possível zona de defesa.
O comportamento do índice nessa região será importante para determinar se a queda perde força ou se a correção se aprofunda. Ainda assim, a proximidade de um suporte não significa, por si só, que uma recuperação esteja confirmada: é necessário que os preços mostrem reação consistente nos pregões seguintes.
Estrangeiros retiraram cerca de R$ 15 bilhões em agosto
Um dos fatores que ajudam a explicar a pressão recente é a saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira. O saldo negativo em agosto soma cerca de R$ 15 bilhões, segundo a avaliação apresentada por Costa. Como o Ibovespa tem forte correlação com o fluxo internacional, a redução desses recursos tende a aumentar a pressão de venda sobre o conjunto das ações.
O fluxo estrangeiro funciona como um termômetro relevante para a liquidez do mercado. Quando há mais entradas, aumentam os recursos disponíveis para comprar ações; quando predominam as retiradas, os negócios podem ficar mais pressionados, especialmente em um período em que os indicadores técnicos já apontam perda de força.
Retomada precisa superar os 172 mil pontos
Para confirmar uma virada, o analista afirma que o Ibovespa precisaria trabalhar novamente mais próximo dos 172 mil pontos do que dos 167 mil. Esse movimento teria de ser acompanhado por alguns dias de fluxo positivo dos estrangeiros e por uma ação dos preços que confirmasse a recuperação, e não apenas por uma alta isolada.
Em um cenário mais favorável, a região entre 178 mil e 179 mil pontos aparece como uma referência importante. A retomada desse intervalo reforçaria a leitura de que a correção perdeu força e de que o índice voltou a recuperar níveis relevantes do movimento anterior.
O que pode acontecer se a pressão continuar
Se o Ibovespa não sustentar a faixa próxima de 168,5 mil pontos e a saída de recursos continuar, os próximos suportes indicados estão em 160 mil e, depois, 155 mil pontos. Esses níveis não representam previsões obrigatórias, mas áreas que podem concentrar novas tentativas de estabilização ou aumento da disputa entre compradores e vendedores.
Para quem acompanha o mercado, o próximo passo será observar simultaneamente o comportamento do índice nesses suportes, a aproximação ou não dos 172 mil pontos e o saldo de investidores estrangeiros. A sequência de baixas aumenta a cautela, mas a confirmação de uma mudança de direção dependerá da combinação desses sinais, e não apenas de uma sessão positiva.
