O Ibovespa abriu esta terça-feira (18) em alta, perto dos 166,8 mil pontos, puxado principalmente pelas ações de petrolíferas, apesar do mau humor nos mercados internacionais e da escalada das tensões no Oriente Médio. O movimento ocorre após dez pregões consecutivos de queda do índice e indica uma tentativa de recuperação, mas ainda em um ambiente de forte cautela.

Petrobras lidera reação da bolsa brasileira

Por volta das 10h45, o índice avançava 0,79%, aos 168.101,12 pontos. Mais cedo, às 10h16, a alta era de 0,19%, aos 167.097,97 pontos. A oscilação mostra que o mercado ganhou força ao longo da manhã, enquanto investidores reagiam à alta do petróleo e ao desempenho de empresas ligadas à energia.

Petrobras subia 1,11% nas ações preferenciais (PETR4) e 1,10% nas ordinárias (PETR3). Vibra avançava 2,17%, Cosan ganhava 1,86% e Ultrapar subia 1,24%. A valorização do petróleo tende a favorecer empresas do setor porque aumenta a receita potencial associada à produção e à comercialização da commodity, embora também possa elevar custos para companhias consumidoras de combustíveis.

Entre as maiores quedas estavam Magazine Luiza, com recuo de 2,60%, Vale, que chegou a cair 0,45%, Sabesp, com baixa de 0,55%, e C&A, em queda de 0,89%. No setor financeiro, predominavam perdas. Hapvida liderava os ganhos, com alta de 5,02%, seguida por Minerva, SLC Agrícola e Azzas 2154.

Petróleo sobe com impasse no Estreito de Ormuz

O petróleo Brent, referência internacional, avançava 0,21%, a US$ 91,06 por barril, enquanto o WTI, negociado nos Estados Unidos, subia 0,84%, a US$ 85,21. Foi o terceiro pregão seguido de alta, em meio à redução das expectativas de um acordo para encerrar o conflito regional.

O Estreito de Ormuz, rota importante para o transporte de petróleo, voltou a concentrar as atenções. O negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf afirmou que a passagem permanecerá fechada até que os Estados Unidos suspendam o bloqueio a portos iranianos, as sanções sobre o petróleo e operações militares. Donald Trump, por outro lado, disse que o estreito está aberto e operacional e que não há negociações em andamento com o Irã.

Juros longos dos EUA pressionam bolsas globais

O rendimento do título de 30 anos do Tesouro americano ultrapassou 5,31% e chegou a 5,323%, nível não visto em quase duas décadas. Quando os juros dos títulos dos Estados Unidos sobem, investimentos considerados mais arriscados, como ações e ativos de países emergentes, tendem a perder atratividade, pois o investidor passa a encontrar remuneração maior em papéis americanos.

O movimento também reflete preocupações com inflação e com a situação fiscal dos Estados Unidos. O déficit do governo americano atingiu US$ 432,3 bilhões em julho, maior valor mensal desde março de 2021, e chegou perto de US$ 1,8 trilhão no acumulado do ano fiscal. Em Wall Street, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq abriram em queda de 0,37%, 0,56% e 1,16%, respectivamente.

Indicadores econômicos mostram sinais mistos

A produção industrial americana cresceu 0,2% em julho ante junho, abaixo da expectativa de 0,4%, e avançou 1,1% em 12 meses. As construções de novas moradias recuaram 12,4% no mês, para uma taxa anualizada de 1,239 milhão de unidades, enquanto as permissões para novas obras subiram 5%, para 1,443 milhão.

Na Europa, o desemprego no Reino Unido ficou em 4,9% no segundo trimestre, queda de 0,1 ponto percentual ante o período anterior. Na Alemanha, o índice de sentimento econômico ZEW subiu de 26,3 pontos em julho para 34,2 em agosto. Na Ásia, o Nikkei caiu 2,54% e o Kospi recuou 1,55%.

Petrobras também enfrenta pressão regulatória

O Ministério Público Federal pediu esclarecimentos ao Ibama sobre o plano da Petrobras de perfurar três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas. Os procuradores questionam a possibilidade de autorizar as operações por meio de mudanças em condicionantes da licença, alegando que isso poderia ignorar impactos ambientais cumulativos.

A estatal anunciou no fim de semana a descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório no Amapá, em águas ultraprofundas. Ao mesmo tempo, investidores acompanham os pedidos de recuperação judicial de Casas Bahia e Braskem nos Estados Unidos. O chamado Capítulo 11 permite que a empresa continue operando enquanto reorganiza suas dívidas sob proteção judicial.

O que observar ao longo do pregão

O dólar comercial subia 0,03%, a cerca de R$ 5,20, enquanto o dólar à vista chegou a R$ 5,2118, alta de 0,20%. A moeda brasileira, portanto, não acompanhava integralmente a leve queda do índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes.

Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da evolução do petróleo, das notícias sobre o Oriente Médio e da trajetória dos juros americanos. A alta inicial do Ibovespa representa uma reação pontual depois de uma sequência negativa, mas não elimina os riscos associados à inflação, ao câmbio e à aversão global ao risco.

Impacto para a sociedade

A tensão no Oriente Médio e a alta do petróleo podem pressionar os preços dos combustíveis e, se persistirem, aumentar custos de transporte e de outros produtos no Brasil. Juros mais altos nos Estados Unidos também podem encarecer o financiamento externo e reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, com efeitos indiretos sobre o câmbio e a inflação.