A adoção de inteligência artificial (IA) pode adicionar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 2027 e 2030, estima um estudo do Reglab encomendado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT. O valor está em termos presentes, com desconto pela Selic de 13% ao ano, e equivale a cerca de 7,6% do PIB projetado para 2026, de R$ 12,9 trilhões.
Como a IA pode aumentar o PIB brasileiro
O mecanismo central é o aumento da produtividade: com ferramentas de IA, empresas podem executar determinadas tarefas em menos tempo, processar mais informações e ampliar a produção utilizando a mesma estrutura. Esse ganho pode aparecer em áreas como atendimento, análise de documentos, programação, pesquisa e atividades administrativas.
Na prática, o impacto estimado não significa que o governo receberá imediatamente R$ 986,7 bilhões ou que esse valor será distribuído diretamente às famílias. Trata-se de uma projeção para o aumento acumulado da atividade econômica, caso a tecnologia seja incorporada por empresas e trabalhadores em escala suficiente.
O que representam os 2,77% do PIB
O levantamento calcula que a IA pode gerar um impacto acumulado equivalente a 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, de 2027 a 2030. A estimativa corresponde a uma expansão média de 0,69 ponto percentual do PIB por ano no período.
Esse percentual representa um acréscimo potencial ao crescimento da economia, e não uma previsão de que o PIB crescerá exatamente 0,69% ao ano. O resultado final dependerá do ritmo de investimentos, da qualificação da mão de obra, da infraestrutura digital e da capacidade das empresas de transformar a tecnologia em produtos e serviços.
Por que o cálculo usa a Selic de 13%
O estudo apresenta os valores em termos presentes, uma forma de comparar ganhos que ocorrerão em anos diferentes com um valor equivalente hoje. Para isso, aplica uma taxa de desconto de 13% ao ano, igual à Selic usada no cálculo.
Quanto maior a taxa de desconto, menor é o valor atual de um benefício que só será obtido no futuro. A Selic também influencia o custo do crédito e o retorno de aplicações de renda fixa, mas, neste caso, aparece como referência financeira para trazer os ganhos projetados entre 2027 e 2030 para a data atual.
O que a estimativa não permite concluir
O número de R$ 986,7 bilhões é o limite superior de uma projeção, e não uma garantia de resultado. A adoção pode ser mais lenta ou desigual entre setores, especialmente quando houver custos de implantação, necessidade de treinamento ou dificuldade para integrar os sistemas de IA às operações existentes.
Também não é possível concluir, apenas com a estimativa, quantos empregos serão criados ou substituídos, nem como o ganho de produtividade será repartido entre trabalhadores, consumidores e empresas. A tecnologia pode reduzir o tempo necessário para algumas tarefas, mas seus efeitos sobre ocupações e salários dependerão da reorganização de cada atividade.
O que isso significa para investidores, consumidores e trabalhadores
Para quem investe, a projeção reforça a possibilidade de que a IA se torne um fator relevante para o crescimento de empresas e da economia brasileira ao longo dos próximos anos. O impacto, porém, dependerá dos resultados efetivamente obtidos por cada companhia, e não apenas da popularização da tecnologia.
Para consumidores e trabalhadores, ganhos de produtividade podem contribuir para ampliar a oferta de serviços e reduzir custos em algumas atividades, mas também exigem adaptação profissional. O próximo passo será acompanhar se a adoção da IA ocorrerá em escala compatível com o cenário estimado e se os ganhos aparecerão nos dados de produtividade e PIB a partir de 2027.
Impacto para a sociedade
A estimativa indica que o uso de inteligência artificial pode aumentar a produtividade de empresas brasileiras e ampliar a produção de bens e serviços nos próximos anos. O efeito sobre a vida das pessoas dependerá de como esse ganho será distribuído entre salários, preços, lucros e empregos, além do ritmo de adoção da tecnologia.
