A Hapvida (HAPV3) disparou 24,6% na semana até sexta-feira (2), enquanto apenas oito ações do Ibovespa fecharam o período em queda. O movimento ocorreu antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4), em uma semana de forte valorização da bolsa: o principal índice do mercado brasileiro avançou 4,71% entre segunda e sexta-feira.

Hapvida liderou os ganhos com expectativa de melhora operacional

A alta da operadora de saúde foi a maior entre as ações do Ibovespa no período. O desempenho refletiu expectativas de melhora operacional e notícias sobre uma possível venda de imóveis hospitalares, operação que poderia reforçar o caixa da companhia.

A Hapvida contratou o BTG Pactual e a XP para avaliar uma transação de sale-leaseback. Nesse modelo, a empresa vende imóveis e continua usando-os mediante contratos de aluguel. As conversas estariam em estágio inicial, e a operação poderia levantar até R$ 1,5 bilhão. O valor é uma possibilidade, não um montante já recebido pela companhia.

Outras seis ações também tiveram alta de dois dígitos

Além da Hapvida, Vamos avançou 22,48% na semana, Azzas 2154 subiu 19,29% e Cogna ganhou 14,62%. Magazine Luiza teve alta de 12,57%, Vivara avançou 12,21% e C&A subiu 11,23%.

No caso da Azzas, o mercado reagiu à notícia de que a companhia recebeu 15 propostas pela Farm Rio. Os dados mostram que a alta se espalhou por empresas de setores diferentes, embora cada papel tenha suas próprias razões e não necessariamente tenha acompanhado o mesmo fator que impulsionou o índice.

Ibovespa subiu 4,71% e avançou na sexta-feira

O Ibovespa ganhou 2,63% apenas na sexta-feira (2), depois de renovar máximas durante o pregão e chegar a 192.114,55 pontos. Em setembro, mês encerrado na quarta-feira (30), o índice acumulou valorização de 5,03%, seu segundo melhor resultado mensal do ano.

Entre as oito ações que fecharam a semana no negativo, Santander Brasil caiu 5,58%, e Minerva recuou 5,13%. Embraer perdeu 3,22%, Copasa caiu 2,78% e Suzano teve baixa de 1,44%. Caixa Seguridade, TIM e Yduqs também terminaram em queda, mas com recuos inferiores a 1%.

Eleição e fluxo estrangeiro entram no radar dos investidores

O avanço da bolsa ocorreu em meio à disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, sem um vencedor claro nas pesquisas mencionadas. Mercados preditivos apontavam vantagem para Flávio; para investidores, uma eventual confirmação desse cenário poderia favorecer os ativos brasileiros, mas o resultado eleitoral ainda era incerto.

Parte dos participantes também se posicionou para a sessão de segunda-feira (5), após a votação, por meio de opções de compra do Ibovespa. Esses contratos podem gerar ganhos se o índice subir, mas também envolvem risco de perda. No pano de fundo, pesaram a revisão das expectativas sobre a política fiscal a partir de 2027 e a retomada do fluxo de investidores estrangeiros para a bolsa.

O que observar depois do primeiro turno

O desempenho da semana retrata uma reação concentrada em poucos pregões e não garante que as altas continuem. Além da definição eleitoral, mudanças nas expectativas sobre as contas públicas podem afetar a percepção de risco e o interesse por ações brasileiras. No exterior, o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril em meio às tensões no Oriente Médio, mas recuou na sexta após o anúncio de liberação de estoques europeus de diesel.

Para quem acompanha investimentos, o próximo passo é observar como os preços reagirão às informações eleitorais e se o movimento de alta se sustenta. No caso da Hapvida, também será necessário acompanhar se a avaliação do sale-leaseback avança: por enquanto, a possibilidade de levantar recursos não significa que a venda tenha sido concluída. A forte valorização semanal, por si só, não elimina as incertezas sobre a empresa nem sobre o mercado.