A Hapvida (HAPV3) reduziu sua dívida bruta em R$ 322,6 milhões após recomprar títulos próprios e liquidar antecipadamente um contrato de proteção financeira. A operação, feita com desconto médio de 23%, melhora a estrutura financeira da companhia e ajudou a levar as ações ao destaque positivo do Ibovespa nesta quarta-feira (26).
Como a Hapvida reduziu o endividamento
A empresa aprovou o uso de até R$ 250 milhões para recomprar debêntures de sua própria emissão, títulos usados por companhias para captar recursos no mercado. A recompra foi realizada sem pagamento de prêmio e envolveu diferentes emissões e séries, em conformidade com as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Até 25 de agosto, a Hapvida havia adquirido 185.355 debêntures, cujo valor nominal atualizado era de R$ 193,9 milhões. O desembolso efetivo foi de R$ 149,9 milhões. Na prática, a companhia pagou menos do que o valor atualizado dos títulos, reduzindo o saldo devedor e capturando o desconto na operação.
Liquidação do contrato financeiro também trouxe ganho
Além da recompra dos títulos, a Hapvida liquidou antecipadamente, em 20 de agosto, um contrato de swap, instrumento financeiro usado para trocar ou proteger determinadas condições de uma dívida, como juros e variação cambial. O contrato tinha valor de R$ 128,7 milhões na data da liquidação.
A companhia pagou o compromisso com desconto de 23% e registrou um ganho financeiro de R$ 29,6 milhões. A combinação entre a recompra das debêntures e a liquidação do swap resultou na redução total de R$ 322,6 milhões na dívida bruta.
Por que a operação melhora as contas da companhia
A redução do endividamento tende a diminuir as despesas financeiras futuras, porque a empresa passa a ter menos principal sujeito à incidência de juros. Isso pode aliviar a pressão sobre o resultado e sobre o caixa, especialmente em um negócio que precisa manter recursos para atender beneficiários, pagar prestadores e sustentar sua operação.
A Hapvida informou que utilizou recursos próprios e que a estratégia busca reduzir a alavancagem sem comprometer a liquidez operacional. Alavancagem é a relação entre a dívida e a capacidade de geração de caixa; quanto menor essa relação, em geral, menor é o risco financeiro percebido pelos credores e investidores.
Ações sobem, mas mercado ainda monitora riscos
Às 12h35 desta quarta-feira, as ações HAPV3 subiam 3,58%, a R$ 6,65, liderando os ganhos do Ibovespa no momento. A reação indica que o mercado recebeu positivamente a redução da dívida, o desconto obtido e o ganho financeiro registrado pela companhia.
O movimento, porém, ocorre em um ambiente de atenção sobre a operação da Hapvida. Na terça-feira (25), a empresa reiterou que avalia contratos coletivos com aproximadamente 947 mil beneficiários por causa de uma precificação considerada defasada. Esses contratos podem passar por reajustes ou ser descontinuados nos próximos 12 meses, em negociações que não terão necessariamente um percentual uniforme.
O que acompanhar daqui para frente
Outro ponto de pressão é a redução da participação da Squadra. Em 21 de agosto, a gestora passou a deter 19.462.487 ações ordinárias, equivalentes a cerca de 3,87% da companhia; desse total, 2.806.076 estavam emprestadas. A movimentação não busca alterar o controle ou a administração, mas pode manter a ação mais volátil no curto prazo.
Para os investidores, o próximo passo será avaliar se o alívio financeiro obtido com a dívida será acompanhado por melhora operacional e maior previsibilidade nos contratos. A recompra reduz obrigações e despesas, mas não elimina os desafios relacionados à precificação dos planos, à geração de caixa e à percepção de risco sobre a empresa.
