O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (28) que a preferência pelo voto TarLula revela que parte do eleitorado paulista procura uma alternativa a Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência em 2026. Para Haddad, esses eleitores não estariam necessariamente escolhendo Tarcísio de Freitas, mas tentando evitar o candidato do PL.

Haddad vê rejeição a Flávio por trás do voto misto

O chamado voto TarLula combina a intenção de votar em Tarcísio para o governo paulista e em Luiz Inácio Lula da Silva para presidente. Na avaliação de Haddad, porém, a explicação principal para esse comportamento seria a rejeição a Flávio Bolsonaro, e não uma preferência específica pelo atual governador de São Paulo.

“É um voto que procura o Lula. Não é um voto que está procurando o Tarcísio. É um voto que está procurando Lula para escapar do Flávio”, disse o petista após cumprir agenda de campanha na zona leste da capital paulista. Embora reconheça que esse movimento possa retirar votos de sua própria candidatura ao governo estadual, Haddad afirmou que considera positiva a busca por uma alternativa ao senador.

Pesquisa aponta 11% de combinação entre os votos

Pesquisa Quaest divulgada nesta semana mostrou que 11% dos eleitores de São Paulo que declararam intenção de votar em Lula para presidente também pretendem escolher Tarcísio para o governo do Estado. O número mede a combinação de preferências para cargos diferentes, e não significa que esses eleitores formem um grupo politicamente homogêneo.

A existência desse cruzamento indica que parte do eleitorado pode separar suas escolhas entre a eleição nacional e a estadual. Para Haddad, a leitura correta é que esses paulistas apoiam Lula como forma de impedir a vitória de Flávio Bolsonaro, enquanto mantêm Tarcísio como opção para administrar o Estado.

Críticas de Haddad miram risco institucional

Haddad também voltou a classificar Flávio Bolsonaro como um risco institucional para o país. O candidato petista afirmou que o senador teria explicações a dar sobre questões éticas e patrimoniais, citando imóveis, a loja de chocolates, as acusações relacionadas às chamadas rachadinhas, a compra de uma mansão e supostas relações com instituições financeiras.

As afirmações foram feitas por Haddad no contexto da campanha e reúnem acusações e questionamentos que ele atribui ao adversário. Ao dizer que Flávio não teria condições de presidir a República, o petista procura transformar a rejeição ao candidato do PL em argumento eleitoral a favor de Lula no cenário nacional.

Disputa paulista ganha dimensão nacional

A declaração mostra como a eleição para o governo de São Paulo está conectada à corrida presidencial. Tarcísio busca a reeleição no Estado, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro aparecem como referências nacionais capazes de influenciar a decisão dos eleitores paulistas.

Esse tipo de voto dividido também pode levar as campanhas a reforçar mensagens diferentes para cada cargo. No plano estadual, os candidatos tendem a discutir gestão e administração pública; no nacional, temas como instituições, economia e orientação política do governo federal podem pesar mais na escolha.

O que observar até a eleição de 2026

Para eleitores e investidores, a fala de Haddad não representa, por si só, uma mudança imediata em políticas públicas, juros ou preços de ativos. O principal efeito é político: a possibilidade de que a rejeição a Flávio Bolsonaro influencie a formação de alianças e a estratégia dos candidatos em São Paulo.

Até a eleição, novas pesquisas poderão mostrar se o voto TarLula se mantém ou se os eleitores passam a alinhar suas escolhas para os dois cargos. Também será importante acompanhar propostas concretas para o Estado e para o país, já que a preferência por candidatos diferentes não elimina as consequências práticas de cada governo para impostos, serviços públicos, emprego e atividade econômica.