Um novo guia interativo reúne as propostas e os posicionamentos dos 13 candidatos à Presidência nas eleições de 2026 em oito áreas: economia e emprego; saúde; educação; política e corrupção; meio ambiente; programas sociais e direitos humanos; política externa; e segurança. A ferramenta permite comparar as ideias apresentadas pelas campanhas em temas que podem afetar juros, trabalho, serviços públicos e custo de vida.

Como o guia organizou as propostas eleitorais

O levantamento considera os programas de governo divulgados até agora e declarações feitas pelos candidatos em eventos, entrevistas, transmissões pela internet e redes sociais. Assim, o conteúdo não se limita a um único documento oficial de cada campanha.

Os nomes incluídos são Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata), além de um 13º nome listado na disputa presidencial.

Economia tem proposta de corte da Selic e foco em tecnologia

Entre as propostas apresentadas por Augusto Cury está a redução da Selic, a taxa básica de juros da economia, para uma faixa entre 6% e 7%. A Selic influencia o custo dos empréstimos, financiamentos e investimentos de renda fixa. Se uma redução desse tipo fosse implementada pelo Banco Central, o crédito poderia ficar mais barato, enquanto aplicações atreladas à taxa básica tenderiam a oferecer remuneração menor.

O efeito sobre a bolsa dependeria de outros fatores, como inflação, contas públicas e confiança na política econômica. Juros menores podem estimular consumo e investimento das empresas, mas uma redução sem espaço para a inflação poderia aumentar a percepção de risco e limitar os benefícios esperados.

O candidato também propõe dobrar a produção de alimentos do país na próxima década, criar 10 mil clubes de empreendedorismo e ampliar a formação de especialistas em inteligência artificial e robótica. São medidas voltadas à oferta de alimentos, à criação de negócios e à qualificação profissional.

Saúde e educação concentram propostas para serviços públicos

Na saúde, o plano inclui tornar a saúde mental uma prioridade nacional, fortalecer a atenção primária do Sistema Único de Saúde e digitalizar prontuários. Também aparecem uma plataforma nacional de telemedicina, uso de inteligência artificial na triagem inicial e pontos públicos de acesso digital para pessoas sem equipamentos ou conexão adequada.

As propostas incluem ainda prevenção de ansiedade, automutilação e suicídio, além da expansão de ações de diagnóstico precoce de câncer. A ideia apresentada é levar unidades móveis e recursos de atendimento remoto a regiões mais distantes.

Na educação, estão previstas escolas voltadas ao empreendedorismo, expansão do ensino técnico e mudanças no ensino médio, com temas como educação financeira, inteligência artificial e gestão das emoções. O plano também menciona capacitação de professores para atender estudantes com autismo, TDAH, dislexia e altas habilidades.

Reformas institucionais e meio ambiente também entram no debate

Na área política, aparecem propostas como mandatos fixos para ministros do Supremo Tribunal Federal, transição para o semipresidencialismo, avaliação de servidores públicos por indicadores e redução do número de ministérios. O programa também prevê maior participação feminina no STF e no primeiro escalão do governo.

Para o meio ambiente, são citados monitoramento de incêndios com satélites, inteligência artificial e drones, além de créditos ambientais auditados, reflorestamento rastreável e comitês de fiscalização. As medidas dependem de estrutura administrativa, orçamento e coordenação entre União e Estados.

O que o eleitor e o investidor devem acompanhar

O guia funciona como uma ferramenta de comparação das promessas, mas a execução dependeria da aprovação de leis, da disponibilidade de recursos e da capacidade de implementação do governo eleito. Propostas para juros, gastos públicos, educação e saúde podem alterar expectativas sobre inflação, crescimento e contas públicas.

Para quem trabalha, consome ou investe, os próximos passos são observar o detalhamento dos programas, as fontes de financiamento e as declarações feitas ao longo da campanha. Até a eleição, as propostas ainda podem ser modificadas e não representam políticas em vigor.

Impacto para a sociedade

As propostas apresentadas podem afetar diretamente juros, crédito, emprego, serviços públicos e políticas sociais, caso sejam adotadas pelo próximo governo. No entanto, o guia reúne promessas de campanha, e não medidas já aprovadas ou em vigor.