A guerra dos Estados Unidos contra o Irã já consumiu US$ 38 bilhões nos primeiros cinco meses, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO). A conta, calculada até 1º de agosto, deve crescer cerca de US$ 3 bilhões por mês, enquanto o conflito também ameaça elevar a inflação e os juros nos Estados Unidos.
O que entrou na conta de US$ 38 bilhões
O cálculo inclui a reposição de munições utilizadas e de equipamentos perdidos em combate, além do aumento das horas de voo e das despesas com combustível. A estimativa considera os gastos diretamente associados à operação militar, e não apenas os desembolsos iniciais do governo.
Segundo o CBO, a fase mais intensa da guerra durou pouco mais de um mês. Além disso, o número de militares americanos mobilizados foi relativamente pequeno em comparação com as operações realizadas no Iraque e no Afeganistão, que foram mais longas e envolveram contingentes maiores.
Por que o custo deve continuar subindo
Mesmo com a redução da intensidade inicial, a continuidade do conflito mantém despesas de logística, manutenção e reposição de armamentos. Por isso, o CBO projeta uma alta média de US$ 3 bilhões por mês na conta da guerra.
Esse ritmo representa uma pressão adicional sobre o orçamento americano. Na prática, o governo precisa financiar gastos militares que não estavam previstos no mesmo nível, seja por meio de novas emissões de dívida, seja pela realocação de recursos de outras áreas.
Como a guerra pode afetar a inflação
O CBO estima que o conflito acrescentará 0,5 ponto porcentual à inflação nos três primeiros meses de 2027. A projeção não significa necessariamente que os preços subirão 0,5% em todos os meses, mas que a inflação acumulada no período ficará mais alta do que ficaria sem esse efeito.
O mecanismo passa pelo aumento dos gastos públicos e pelos custos associados à operação militar. Quando o governo injeta mais recursos na economia em um cenário de capacidade limitada, a demanda pode ficar mais pressionada. Combustíveis, transporte, equipamentos e serviços ligados à guerra também podem encarecer a operação do Estado.
Impacto sobre os juros e os títulos americanos
Na avaliação do CBO, a inflação adicional deve pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Os papéis de três meses já apresentam, em 2026, taxas quase 0,2 ponto porcentual acima do que era estimado em fevereiro.
Juros mais altos nos Estados Unidos aumentam o custo de financiamento do governo e podem manter as condições monetárias mais restritivas. Para investidores, isso tende a elevar a atratividade relativa da renda fixa americana e pode influenciar o fluxo de recursos entre mercados globais, embora o efeito sobre cada ativo dependa também de outros fatores.
O que observar daqui para frente
O principal ponto de acompanhamento será a duração do conflito. Cada mês adicional adiciona aproximadamente US$ 3 bilhões à conta, amplia a necessidade de financiamento e pode prolongar a pressão sobre a inflação americana.
Para quem investe ou acompanha a economia, os dados mais relevantes serão as próximas projeções fiscais, a evolução dos preços e o comportamento dos títulos de curto prazo. Uma inflação mais persistente pode dificultar a redução dos juros americanos e manter maior volatilidade nos mercados internacionais. Para trabalhadores e consumidores, o impacto direto tende a ocorrer principalmente nos Estados Unidos, por meio de preços e crédito mais caros; no Brasil, eventuais efeitos dependerão da transmissão pelos juros globais, pelo câmbio e pelos preços de commodities.
