Nubank (ROXO34), BTG Pactual (BPAC11) e Banco do Brasil (BBAS3) estão entre as ações escolhidas por investidores estrangeiros que acompanham o Brasil, mas ainda aguardam um gatilho para ampliar as compras. A principal condição apontada é uma queda mais consistente da Selic, em um cenário de desaceleração econômica e inflação sob controle.

Investidores estrangeiros mantêm posição neutra

O interesse foi identificado em reuniões de analistas do Bradesco BBI com gestores institucionais dos Estados Unidos. Apesar de acompanharem de perto os ativos brasileiros e já indicarem setores e empresas preferidos, esses investidores ainda mantêm uma exposição predominantemente neutra ao país.

A cautela está ligada às dúvidas sobre o ritmo de perda de força da economia, a trajetória dos preços e o momento em que o Banco Central poderá reduzir os juros de maneira mais contínua. A projeção do banco é que a Selic encerre 2027 em 11% ao ano, mas o mercado ainda não demonstra convicção suficiente para aumentar agressivamente a exposição às ações.

Por que a Selic é o gatilho para a Bolsa

Quando os juros básicos caem, aplicações de renda fixa tendem a oferecer uma remuneração menor, o que pode tornar as ações relativamente mais atrativas. Ao mesmo tempo, o crédito fica menos caro para empresas e consumidores, favorecendo a atividade econômica e os resultados de companhias mais dependentes do mercado interno.

O efeito também aparece na avaliação das empresas: com juros menores, os ganhos esperados no futuro sofrem menos desconto no cálculo de valor dos ativos. Por isso, bancos, corretoras, a bolsa e instituições ligadas ao ciclo doméstico de juros estão entre as preferências dos investidores consultados.

O que atrai os investidores em cada ação

O Nubank concentrou boa parte das conversas. Os gestores questionaram a qualidade da carteira de crédito, o comportamento da inadimplência, a rentabilidade e a capacidade de continuar crescendo nos Estados Unidos sem prejudicar os resultados.

O BTG Pactual foi associado aos benefícios de um ambiente de juros menores e à possível retomada do mercado de capitais. O Banco do Brasil aparece ligado a uma eventual melhora da atividade e à expansão do crédito. Também foram citadas a B3 (B3SA3), como aposta para capturar uma queda da Selic e maior movimentação no mercado, e a XP (XPBR31), pelo potencial de crescimento com o aumento das negociações dos investidores.

Inflação, petróleo e crédito ainda limitam o apetite

Os investidores apontaram a inflação, o câmbio e os preços do petróleo e dos combustíveis como riscos capazes de adiar ou reduzir o ritmo de cortes. Esses fatores podem pressionar os preços e dificultar a formação de um ambiente mais favorável para a redução dos juros.

Há ainda o receio de que a desaceleração seja forte demais. A redução dos estímulos fiscais e a perda de força da expansão do crédito podem fazer com que o remédio dos juros altos para conter a inflação provoque uma freada brusca na economia.

O que acompanhar antes do próximo movimento

O próximo passo será observar se os dados confirmam uma desaceleração ordenada, com menor pressão inflacionária, sem deterioração acentuada da atividade. Essa combinação é a que poderia dar mais segurança para o Banco Central cortar a Selic e para os estrangeiros transformar o interesse pelas ações em compras maiores.

Até lá, a preferência por Nubank, BTG Pactual, Banco do Brasil e outras instituições financeiras indica uma lista de potenciais beneficiárias de juros menores, não uma decisão definitiva de alocação. Para quem investe, consome ou trabalha, o ponto central é que a trajetória da Selic continuará influenciando simultaneamente o retorno da renda fixa, o custo do crédito e o desempenho da Bolsa.

Impacto para a sociedade

A expectativa sobre a Selic afeta diretamente o custo de empréstimos, financiamentos e cartões, além do rendimento de aplicações de renda fixa. Se os juros começarem a cair de forma consistente, o crédito pode ficar menos caro, mas o efeito depende da inflação e da velocidade da desaceleração econômica.