Os bancários da Caixa Econômica Federal rejeitaram na noite desta sexta-feira (11) a última proposta do banco e decidiram manter a greve nacional por tempo indeterminado. O principal obstáculo para um acordo é o **plano de saúde Saúde Caixa**, cujas mudanças propostas geraram divisão irreconciliável entre a diretoria e as entidades sindicais. Com a paralisação iniciada na quinta-feira (10), as agências seguem fechadas em diversos estados, enquanto a gestão analisa caminhos judiciais para retomar as atividades.
Polo de divergência muda regras de custeio
A resistência concentra-se na reestruturação do plano de assistência médica. Os empregados apontam que os ajustes equivaleriam a um aumento real de gasto mensal e redução de cobertura familiar. As mudanças previam contribuições de 2,3% a 4,1% sobre o salário-base, conforme a idade, mais cobranças fixas de até R$ 660 por dependente. O teto anual de coparticipação subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, surgiria um piso de R$ 50 e as consultas em pronto-socorro teriam seu valor triplicado. A categoria também rejeitou a cobrança de 13 parcelas mensais e a proibição de readmissão após cancelamento.
Bônus oferecidos não equilibraram a balança
O banco tentou contornar o impasse com pacotes financeiros atrativos. Foram ofertados um prêmio de R$ 3 mil por funcionário, pagamento antecipado de salário reajustado, PLR e Super Caixa para o dia 18, e antecipação de parcelas da 13ª salário de 2028 a 2030. Havia ainda R$ 236 milhões em ações preventivas a partir de janeiro de 2027 e a formação de grupos de trabalho. Apesar desses incentivos, a maioria não viu benefício suficiente. Na região metropolitana de São Paulo, 68% dos votantes derrubaram o texto, consolidando a rejeição que já ultrapassava 90% nas bases anteriores do Acordo Coletivo de Trabalho.
Gestão busca solução via Justiça do Trabalho
Com o fim do prazo de vigência da proposta, a administração do banco informou que pode recorrer ao dissídio coletivo. Trata-se de mecanismo legal que transfere a definição das condições de trabalho para o Judiciário quando as negociações perecem. A medida costuma gerar volatilidade em indicadores operacionais, pois impõe parâmetros externos à gestão financeira da empresa, alterando projeções de passivos e fluxos de caixa futuros. Não obstante o passo judicial, a Caixa afirma que mantém canais abertos com os sindicatos para tentar reaproximar as partes antes de um eventual julgamento.
Mudança de fluxo de clientes e cenário paralelo
Durante a paralisação, o atendimento presencial está suspenso em polos como São Paulo e Paraná. A instituição migrou a operação para o aplicativo oficial, internet banking, WhatsApp Caixa, Cartão Caixa Tem, lotéricas credenciadas e caixas eletrônicos. A rede Banco24Horas e o telefone Alô Caixa também seguem ativos. O movimento difere do observado no Banco do Brasil, onde a aprovação sindical permitiu o retorno às atividades normais, sobrando greves fragmentadas apenas em dezessete bases restantes.
O que fica para os próximos dias
A indefinição sobre o fim da greve adiciona uma variável de risco ao ambiente de crédito, especialmente em operações habitacionais e subsídios federais distribuídos pela instituição. Se a via judicial for adotada, os processos trabalhistas podem demandar meses, influenciando o planejamento estratégico de fornecedores e a confiança do público interno. Até a pronúncia da Corte, o mercado continuará avaliando se há margem para revisão das cláusulas do plano de saúde ou se a imposição judicial será inevitável.
