O preço médio nacional da gasolina nos Estados Unidos chegou a cerca de US$ 4,13 por galão na quinta-feira, quase US$ 1 acima da média de 2025, segundo o monitoramento da GasBuddy. O valor ocorre no fim de semana do Dia do Trabalho e reforça a pressão sobre os consumidores, em um momento de alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.
Gasolina supera marca simbólica para os consumidores
O preço de US$ 4 por galão é considerado um ponto crítico para muitas famílias americanas. A GasBuddy estima que a média nacional fique em US$ 4,03 na segunda-feira, feriado do Dia do Trabalho. Se confirmado, será o primeiro registro acima desse nível na data.
A marca também supera com folga o recorde anterior para o feriado, de US$ 3,83 por galão, alcançado em 2012. Embora a gasolina ainda não esteja no maior nível histórico absoluto, nunca havia atingido um preço tão elevado nesta época do ano.
Guerra eleva petróleo e custo dos combustíveis
O petróleo bruto voltou a superar US$ 90 por barril nesta semana depois de novas ações militares entre Estados Unidos e Irã. O movimento reacendeu o temor de interrupções no abastecimento mundial e elevou o custo da principal matéria-prima usada na produção de gasolina.
Os combustíveis derivados, como diesel e óleo para aquecimento, também subiram. Além da tensão no Oriente Médio, ataques a instalações de refino na Rússia aumentaram a preocupação com a oferta global de produtos processados.
Exportações americanas também afetam a oferta doméstica
As exportações de petróleo e combustíveis dos Estados Unidos cresceram desde o início da guerra com o Irã, à medida que outros países passaram a recorrer ao mercado americano. Os embarques de produtos refinados aumentaram mais de 10% em relação ao ano anterior, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA.
Na prática, uma parcela maior da produção americana é direcionada ao exterior. Isso pode reduzir a folga disponível no mercado doméstico e contribuir para manter os preços elevados nos postos, especialmente quando a demanda aumenta em períodos de viagens.
Preço pesa na política e muda hábitos
A gasolina é um dos indicadores mais visíveis da economia para os consumidores americanos. Por isso, a alta pode influenciar rapidamente a percepção sobre inflação e custo de vida, além de se tornar um tema relevante nas campanhas para as eleições legislativas de meio de mandato.
O presidente Donald Trump prometeu reduzir os custos de energia e, nas últimas semanas, criticou refinarias e varejistas de combustíveis, acusando-os de lucrar com os preços elevados. Em agosto, porém, afirmou que os americanos deveriam aceitar pagar “um pouco mais” pela gasolina para impedir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.
O que muda para consumidores e mercados
Motoristas de estados como Colorado, Utah, Idaho, Montana, Wyoming e Dakota do Norte enfrentaram alguns dos maiores aumentos desde o início da guerra. Califórnia, Havaí e Washington aparecem entre os estados com as médias mais altas do país.
O impacto já aparece no comportamento das famílias. Uma motorista do Colorado disse que limitou o abastecimento a US$ 15, enquanto uma moradora de Houston afirmou que reduziu os planos de viajar para a praia no feriado. Para os mercados, o próximo foco será a duração do conflito, o nível do petróleo e a capacidade de refino e exportação dos Estados Unidos.
Impacto para a sociedade
O avanço do petróleo pode pressionar os preços de combustíveis, fretes e outros produtos também no Brasil, caso aumente o custo internacional da energia. Para os consumidores americanos, o efeito já aparece diretamente no orçamento, reduzindo viagens e o consumo de outros bens e serviços.
