O preço médio do frete rodoviário no Brasil caiu 0,46% em julho, para R$ 8,63 por quilômetro rodado, depois de subir quase 1% em junho. O recuo refletiu principalmente a redução do diesel, mas a tendência pode mudar em agosto: o avanço da colheita da segunda safra de milho deve aumentar a procura por caminhões e pressionar as cotações do transporte.

Diesel mais barato reduziu o custo do transporte

O indicador, calculado a partir de transações de frete e de vale-pedágio administradas pela Edenred Mobilidade, encerrou julho em queda. O resultado veio após o diesel recuar pelo terceiro mês consecutivo, depois de atingir um pico em abril.

O combustível é um dos principais componentes do custo operacional dos caminhoneiros e das transportadoras. Quando seu preço diminui, há alívio nas despesas por viagem, o que pode reduzir a necessidade de repassar custos para o valor cobrado por quilômetro. Esse efeito ajudou a explicar a queda do frete em julho, mesmo com a atividade do agronegócio sustentando a demanda.

Safra de milho pode mudar a direção dos preços em agosto

O avanço da colheita da segunda safra de milho tende a elevar a movimentação de cargas entre as áreas produtoras, armazéns, indústrias e portos. Como a oferta de caminhões não aumenta imediatamente na mesma proporção, uma procura mais intensa pode favorecer a alta dos preços cobrados pelos transportadores.

A Edenred não apresentou um número para agosto, mas afirmou que o movimento da safra pode influenciar o comportamento do frete no mês. O efeito dependerá da combinação entre o volume colhido, a necessidade de escoamento e os custos dos combustíveis.

Indústria perdeu ritmo enquanto agronegócio avançou

O relatório apontou que a indústria brasileira apresentou sinais de desaceleração em julho, em contraste com o desempenho do agronegócio. Essa diferença ajuda a explicar por que o mercado de transporte pode continuar recebendo sustentação das cargas agrícolas, mesmo com menor dinamismo em parte da economia.

Para transportadoras e produtores, o preço do frete interfere diretamente na margem das operações. Para as empresas que compram, processam ou exportam milho, uma alta no transporte pode elevar o custo de aquisição e reduzir a rentabilidade, caso não seja possível repassar integralmente a despesa.

Petróleo e medidas do governo ainda afetam os custos

A queda do diesel ocorreu após a perda de força das cotações do petróleo, que haviam subido até abril em razão da guerra no Irã. Também contribuíram, de acordo com a companhia, programas de subsídios implementados pelo governo brasileiro e a tributação das exportações de petróleo para tentar conter os preços no mercado interno.

Esse cenário mostra por que o frete não depende apenas da quantidade de cargas disponíveis. Combustível mais caro eleva o custo por viagem; combustível mais barato abre espaço para preços menores, embora uma demanda excepcional, como a da colheita de milho, possa compensar esse alívio.

Regras da ANTT podem dar mais previsibilidade ao mercado

Para os próximos meses, a dinâmica dos setores e o preço dos combustíveis continuarão entre os principais fatores de pressão sobre o transporte. A Edenred também citou os efeitos da nova tabela de pisos mínimos da ANTT e da nova lei do setor, que tendem a dar mais conformidade aos preços do frete.

Na prática, o próximo ponto de atenção será verificar se o aumento sazonal da demanda em agosto supera o efeito positivo do diesel mais barato. Para quem investe, consome ou trabalha no agronegócio, a evolução do frete será um sinal sobre os custos de escoamento da safra e seus possíveis reflexos nas margens das empresas e nos preços dos produtos transportados.

Impacto para a sociedade

O frete influencia o custo de transporte de alimentos, insumos e outros produtos, podendo chegar ao consumidor por meio dos preços finais. A maior demanda por caminhões durante a safra de milho também afeta a atividade de transportadores e trabalhadores ligados ao agronegócio.