O Brasil registrou entrada líquida de US$ 851 milhões no mercado de câmbio na semana de 10 a 14 de agosto, informou o Banco Central nesta quarta-feira (19). O resultado mostra que entraram mais recursos no país do que saíram no período, apesar da retirada líquida de dinheiro pela conta financeira, e elevou o fluxo cambial positivo de 2026 para US$ 21,2 bilhões.
Conta comercial compensou saída de recursos financeiros
O saldo semanal foi formado por uma entrada de US$ 3,5 bilhões na conta comercial e por uma saída de US$ 2,6 bilhões na conta financeira. A conta comercial registra principalmente as operações ligadas à exportação e à importação de bens. Quando as exportações superam as importações, há entrada líquida de dólares no país.
Já a conta financeira reúne operações como investimentos estrangeiros diretos e em ações e títulos, remessas de lucros, pagamento de juros e outros movimentos de capital com o exterior. Portanto, o resultado positivo da semana não significa que todos os tipos de recursos estrangeiros estejam entrando no Brasil: o comércio exterior gerou dólares, enquanto as operações financeiras tiveram saída líquida.
Fluxo cambial de agosto permanece positivo
De 1º a 14 de agosto, o fluxo cambial acumulou saldo positivo de US$ 1,5 bilhão. O canal comercial respondeu por uma entrada líquida de US$ 4,1 bilhões no período, enquanto o canal financeiro registrou saída de US$ 2,6 bilhões.
No acumulado de 2026, a diferença entre os canais é mais expressiva. A conta comercial soma saldo positivo de US$ 42,4 bilhões, mas a conta financeira acumula resultado negativo de US$ 21,2 bilhões. O saldo final, de US$ 21,2 bilhões, indica que o comércio exterior mais do que compensou a retirada líquida registrada nas operações financeiras.
Saída de estrangeiros da B3 reforça cautela
O movimento no câmbio ocorre em paralelo à retirada de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira. Até 13 de agosto, esses investidores haviam retirado R$ 15,6 bilhões da B3, a maior saída para um mês de agosto desde janeiro de 2022, conforme dados da consultoria Elos Ayta.
Os números não são diretamente comparáveis. O fluxo cambial considera um conjunto amplo de operações financeiras com o exterior, enquanto o dado da B3 se limita ao mercado de ações. Ainda assim, os dois indicadores apontam para uma redução da exposição estrangeira a ativos brasileiros neste mês.
Eleição e risco fiscal pesam sobre as decisões
Parte da cautela está relacionada à proximidade das eleições e às dúvidas sobre a trajetória das contas públicas. O economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, afirmou que a saída de estrangeiros ocorre principalmente por receios com as perspectivas fiscais e com a dívida bruta do país.
Esse tipo de preocupação pode afetar tanto o câmbio quanto a Bolsa. Se investidores entendem que o risco fiscal aumentou, podem reduzir posições em ativos brasileiros e remeter recursos ao exterior. A menor demanda por ações e títulos locais tende a pressionar seus preços, enquanto a procura por moeda estrangeira pode influenciar a cotação do dólar.
O que os números significam para os próximos dias
O saldo cambial positivo da semana mostra que o Brasil continua recebendo dólares em volume superior ao que envia quando se considera o conjunto das operações. No entanto, a saída financeira e o fluxo negativo de estrangeiros na B3 indicam que o resultado comercial, ligado às exportações, tem sido essencial para sustentar o saldo total.
Para quem acompanha o mercado, o próximo ponto de atenção é saber se a entrada de recursos comerciais continuará compensando a retirada financeira. A evolução das discussões fiscais e do cenário eleitoral pode influenciar a disposição dos estrangeiros, com possíveis efeitos sobre o dólar, os preços das ações e as condições de financiamento do país.
