O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, negou nesta sexta-feira (9) que pretenda privatizar a Petrobras se for eleito e chamou os rumores de “boataria”. A declaração é relevante porque põe o próprio candidato no centro de uma discussão que pode influenciar as expectativas sobre o futuro da estatal, embora ele não tenha apresentado detalhes de um plano para a empresa.

O que Flávio Bolsonaro disse sobre a estatal

Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de privatização da Petrobras e de outras estatais, Flávio afirmou que há uma onda de boatos contra sua candidatura. Ao ser perguntado especificamente se mudaria o comando da petroleira, respondeu que, antes, seria preciso mudar o presidente da República.

A resposta não equivale a uma promessa de manter os atuais dirigentes nem esclarece que política o candidato adotaria para a companhia. O ponto confirmado é a rejeição, feita por ele, à ideia de que pretenda privatizar a estatal caso vença a eleição.

Histórico de vendas alimenta debate sobre a Petrobras

A discussão ocorre em meio a um histórico recente de desinvestimentos na companhia. Durante o governo de Jair Bolsonaro, pai do senador, a Petrobras vendeu ativos, entre eles refinarias. Essas operações foram interpretadas por críticos como parte de um movimento que poderia reduzir o tamanho da empresa e abrir caminho para uma venda futura.

Esse antecedente ajuda a explicar por que rumores sobre privatização têm peso político e econômico. Uma mudança de controle poderia alterar a forma como a empresa é administrada e suas prioridades, mas a declaração desta sexta-feira não detalhou propostas sobre investimentos, preços de combustíveis ou participação do Estado.

Disputa presidencial segue apertada antes do segundo turno

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva. A diferença foi de 1,87 ponto percentual, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

As primeiras pesquisas divulgadas depois da votação indicavam que o senador continuava à frente do presidente. Nesse cenário, declarações sobre empresas estatais podem ser observadas por investidores como sinais de possíveis direções para a política econômica, mas não substituem um programa detalhado nem decisões de governo.

Crítica aos subsídios ocorre com petróleo acima de US$ 100

Além de negar a privatização, Flávio criticou os subsídios, as subvenções e as desonerações do governo para combustíveis. Ele afirmou que o apoio ao diesel, de R$ 2 por litro segundo sua declaração, terminaria no dia seguinte à eleição e acusou o governo de preparar uma “bomba” para consumidores, motociclistas, motoristas e caminhoneiros.

Na mesma sexta-feira, o governo anunciou a ampliação por 30 dias de medidas para diesel, gasolina e etanol. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a prorrogação não tinha relação com o calendário eleitoral e que buscava reduzir os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços. O petróleo Brent era negociado perto de US$ 104 por barril, ante cerca de US$ 70 antes do início do conflito.

O que consumidores e investidores devem acompanhar

Para quem abastece, a duração dos subsídios e a evolução do petróleo internacional são fatores que podem influenciar os preços dos combustíveis. Para as contas públicas, a continuidade de medidas de apoio também importa, embora a declaração do candidato não detalhe como seriam tratadas em um eventual governo.

Para investidores, a negativa reduz a incerteza sobre uma intenção atribuída a Flávio, mas não define a política futura para a Petrobras. O próximo marco político é o segundo turno, em 25 de outubro; até lá, declarações e propostas mais concretas dos candidatos podem esclarecer o rumo esperado para a estatal e para os combustíveis.

Impacto para a sociedade

A negativa não altera, por si só, a gestão ou os preços da Petrobras. Já os subsídios aos combustíveis podem afetar o valor pago por consumidores e empresas, enquanto seu custo e duração também têm implicações para as contas públicas.