Em seu primeiro ato oficial de campanha, no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro acusou o presidente da República de deixar um legado de incompetência e corrupção e defendeu que o PCC, o Comando Vermelho e milícias sejam tratados como organizações terroristas. A declaração amplia o tom da disputa eleitoral e coloca segurança pública e combate ao crime organizado entre os principais eixos do discurso do senador.
Flávio promete tratar facções como organizações terroristas
Durante o discurso na Praia de Copacabana, Flávio afirmou que pretende “resgatar a soberania do Brasil” por meio de uma política que classifique PCC, Comando Vermelho e milícias como terroristas. A proposta foi apresentada como parte de uma resposta mais dura ao avanço do crime organizado.
O senador também criticou o governo Lula ao dizer que a administração “briga com o País em outro continente”, mas não enfrenta ladrões de celular. Na avaliação dele, o Brasil não teria soberania nem sobre o próprio aparelho telefônico, uma referência à insegurança enfrentada pela população.
Acusação contra o governo Lula domina o discurso
Ao atacar a atual gestão, Flávio declarou: “O presidente da República está deixando legado de incompetência e corrupção.” A acusação foi feita sem a apresentação, durante o discurso, de novos dados ou medidas específicas para sustentar a afirmação.
O senador também disse que não vai desistir do Brasil e voltou a defender o legado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Flávio, a gestão do ex-presidente foi a “última fronteira na defesa pela democracia”, reforçando a tentativa de transformar a campanha em uma continuidade do bolsonarismo.
Proposta ainda depende de decisões políticas e legais
A classificação de facções criminosas como organizações terroristas é, neste momento, uma proposta de campanha. A fala de Flávio, por si só, não altera a legislação nem muda a forma como PCC, Comando Vermelho ou milícias são tratados pelas autoridades.
Para sair do discurso e virar política pública, a medida teria de ser detalhada e submetida às instâncias responsáveis por alterar normas, definir competências e estabelecer como ocorreria a atuação do Estado. Também seria necessário esclarecer quais seriam os efeitos práticos da classificação sobre investigações, punições e cooperação entre órgãos de segurança.
Ausência de Jair Bolsonaro é explorada como símbolo político
Flávio lamentou que o pai não estivesse presente no ato, afirmando que Jair Bolsonaro é odiado por uma parcela dos poderosos. Em seguida, emocionou-se ao comparar a própria trajetória à do ex-presidente: “É difícil comparar o Pelé com o filho do Pelé, mas estou aqui com toda humildade.”
O ex-presidente participou de forma remota, em uma fala rápida na qual afirmou que o País precisa mudar. Também mencionou o medo de que sua filha caçula fique órfã. A participação reforçou a centralidade de Jair Bolsonaro na identidade política da campanha do filho.
Segurança pública será eixo da disputa eleitoral
O ato em Copacabana mostrou que Flávio pretende combinar a defesa do legado do pai com ataques diretos ao governo federal e uma agenda de endurecimento contra o crime organizado. A escolha do PCC, do Comando Vermelho e das milícias como alvos específicos busca conectar o discurso nacional a uma preocupação cotidiana dos eleitores.
O próximo passo será transformar as declarações em propostas detalhadas para a campanha. Para quem acompanha a política econômica, o ponto de atenção é como uma eventual agenda de segurança seria financiada e incorporada ao orçamento público, caso avance no processo eleitoral. Até aqui, porém, o discurso se concentrou em acusações políticas e na promessa de uma resposta mais rígida ao crime.
