Os fundos imobiliários (FIIs) alcançaram 3,297 milhões de investidores em julho, novo recorde da série acompanhada pela B3. A base cresceu aproximadamente 47 mil pessoas em relação a junho, quando somava 3,250 milhões, e avançou 14,2% em nove meses, indicando que o produto continua atraindo investidores mesmo com os juros ainda elevados.

Base de investidores cresceu 410 mil em nove meses

Em outubro de 2025, os FIIs tinham 2,887 milhões de investidores com posição em custódia. Desde então, foram incorporadas cerca de 410 mil pessoas ao mercado, uma expansão que reforça a presença dos fundos entre os investimentos acessados por pessoas físicas.

A posição em custódia representa as cotas registradas em nome dos investidores. Em julho, as pessoas físicas detinham 73,7% desse estoque, enquanto os investidores institucionais respondiam por 20,6%. A diferença entre esses percentuais e a participação no pregão mostra que ter cotas registradas e negociar ativamente são comportamentos distintos.

Pessoas físicas têm maioria das cotas, mas não do volume negociado

No mercado secundário, em que os investidores compram e vendem cotas já emitidas, as pessoas físicas responderam por 33% do volume negociado em julho. Os investidores institucionais ficaram com 34,2%, e os não residentes, com 28,9%.

Isso significa que a forte presença das pessoas físicas na base de investidores não se traduz automaticamente em maioria das negociações. Institucionais e estrangeiros podem movimentar volumes maiores em cada operação, ainda que representem uma parcela menor da quantidade total de investidores ou da posição em custódia.

Volume negociado subiu para R$ 11,6 bilhões

O mercado de FIIs movimentou R$ 11,6 bilhões em julho, acima dos R$ 9,6 bilhões de junho e dos R$ 10,5 bilhões de maio. O resultado também superou os R$ 9,8 bilhões de abril e os R$ 8,5 bilhões de fevereiro, mas ficou próximo dos R$ 11,3 bilhões registrados em janeiro.

No acumulado de janeiro a julho de 2026, o volume negociado chegou a R$ 72,7 bilhões. O volume médio diário negociado (ADTV) avançou de R$ 459 milhões em junho para R$ 505 milhões em julho, embora tenha permanecido abaixo dos R$ 527 milhões observados em maio.

Juros elevados não impediram a expansão dos FIIs

O crescimento da base ocorreu em um ambiente de juros ainda altos. Quando a remuneração dos investimentos de renda fixa aumenta, os FIIs enfrentam maior concorrência pelo dinheiro dos investidores. Além disso, juros elevados encarecem o crédito e podem dificultar a expansão de empresas e projetos imobiliários financiados.

Mesmo assim, os fundos seguem sendo procurados por oferecer exposição ao mercado imobiliário por meio de cotas negociadas em bolsa. O desempenho de cada fundo, porém, depende de fatores como os imóveis ou títulos que compõem a carteira, a distribuição de rendimentos e o preço das cotas no mercado.

Estoque permanece perto de R$ 200 bilhões

O estoque financeiro de cotas de FIIs em custódia na B3 terminou julho em R$ 196 bilhões, no mesmo nível de junho. O montante ficou abaixo dos R$ 198 bilhões de maio e dos R$ 201 bilhões de abril, mas ainda próximo da marca de R$ 200 bilhões alcançada no início de 2026.

O estoque havia encerrado 2025 em R$ 194 bilhões e somava R$ 183 bilhões em outubro do ano passado. Para o investidor, os próximos dados a acompanhar são a evolução da quantidade de cotistas, da liquidez nas negociações e do valor total em custódia, especialmente enquanto os juros permanecerem elevados.