A Fatal Model ofereceu R$ 120 milhões por um ano para ocupar o espaço de patrocínio máster na camisa do Corinthians, hoje ligado à Esportes da Sorte. O valor corresponde a 80% do pagamento fixo anual da atual patrocinadora. A proposta surge diante da possibilidade de a casa de apostas ser impedida de operar no Brasil, mas ainda depende de uma decisão do clube.

Oferta é menor que o valor fixo atual

A Esportes da Sorte paga atualmente R$ 150 milhões fixos por ano pelo principal espaço do uniforme corintiano. O contrato também prevê bônus que poderiam elevar o total a R$ 200 milhões. A oferta da Fatal Model, portanto, é R$ 30 milhões inferior ao valor fixo anual, sem considerar os possíveis adicionais.

O prazo proposto também é mais curto: um ano. Já o acordo com a Esportes da Sorte é válido até dezembro de 2029, embora possa ser afetado pelas novas regras para o setor de apostas. Até o momento, o Corinthians não confirmou que aceitará a oferta.

Patrocínio tem peso relevante nas receitas do clube

O Corinthians prevê arrecadar R$ 276,7 milhões com patrocínios de uniforme em 2026. O pagamento fixo da Esportes da Sorte equivale a cerca de 54,2% dessa previsão. Uma eventual interrupção do contrato, assim, deixaria uma lacuna expressiva numa fonte de receita usada para financiar as atividades do clube.

A oferta da Fatal Model poderia substituir parte desse valor por um ano, mas não igualaria o pagamento fixo atual. Para o clube, a escolha envolve comparar o montante proposto, o prazo do acordo e as condições para ocupar o espaço principal da camisa.

Regra para bets pressiona o contrato em vigor

O governo federal publicou uma medida provisória (MP) que prevê a interrupção das operações de casas de apostas e jogos virtuais online no país a partir de 6 de outubro. A regra também determina a retirada de publicidade e sinais de patrocínio dessas empresas, o que pode impedir que a Esportes da Sorte mantenha o acordo nos moldes atuais.

A empresa já havia alertado o Corinthians sobre a possibilidade de ficar impedida de operar no Brasil. Dirigentes do clube esperavam que uma eventual proibição incluísse um período de transição para contratos existentes. A situação coloca em dúvida não apenas a continuidade do patrocínio, mas também como obrigações já assumidas serão tratadas.

Fatal Model já tem outro acordo com o Corinthians

A proposta para o espaço máster é separada do contrato da Fatal Fans, plataforma de conteúdo adulto ligada ao grupo Fatal Model. A empresa já estampa sua marca no calção da equipe masculina em um acordo válido até o fim de 2027, com pagamento previsto de R$ 22 milhões.

No futebol feminino, a Fatal Fans exibe no uniforme uma campanha de conscientização sobre a violência contra a mulher. A oferta pelo patrocínio máster representaria, portanto, uma nova parceria e não uma ampliação automática do contrato existente.

Decisão do clube depende do desfecho regulatório

A pressão sobre o Corinthians reflete a presença das bets no futebol brasileiro. Das 20 equipes da Série A, 14 têm empresas de apostas como patrocinadoras máster. Em 2025, esses patrocínios somaram cerca de R$ 1,14 bilhão, equivalente a 7,9% das receitas dos clubes da divisão.

Para o Corinthians, os próximos passos são avaliar a proposta e acompanhar como a MP afetará o contrato atual. Para quem acompanha as contas do clube, a diferença entre os valores e a duração de cada acordo ajuda a dimensionar o possível impacto: a oferta garante uma alternativa por um ano, mas não resolve, por si só, a incerteza sobre a receita até 2029.