A Farm poderá receber ainda neste mês propostas de fundos brasileiros e estrangeiros interessados em financiar o futuro da marca, avaliada em US$ 1 bilhão, ou cerca de R$ 5,13 bilhões. A movimentação ocorre após a separação entre Arezzo&Co e Grupo Soma e pode preparar o caminho para um possível IPO — oferta inicial de ações — da rede em Nova York.
Fundos avaliam entrada na Farm
As primeiras ofertas devem ser não vinculantes. Na prática, isso significa que os interessados poderão apresentar valores e condições sem assumir a obrigação de concluir a operação nem pagar multa caso desistam durante as negociações.
A avaliação de R$ 5,13 bilhões coloca a Farm acima do valor de mercado de toda a Azzas 2154, atualmente em R$ 3,65 bilhões. A comparação mostra o peso da marca dentro do conglomerado, embora a cifra atribuída à Farm ainda dependa de uma eventual transação e de uma negociação com os acionistas.
Por que a Farm virou o principal ativo do grupo
Criada em 1997 como um estande de feira no Rio de Janeiro, a Farm se tornou a principal responsável pelo crescimento da divisão de moda feminina. A marca combina expansão internacional, geração de caixa e crescimento consistente, características especialmente valorizadas por investidores.
Por isso, a venda de uma participação ou a entrada de um novo sócio já era considerada uma alternativa para levantar recursos e ajudar a reorganizar as demais operações. Uma transação também poderia dar à Farm capital para acelerar sua presença fora do Brasil, sem depender exclusivamente do caixa das controladoras.
Como a ruptura entre Arezzo e Soma mudou a estrutura
A união entre Arezzo&Co e Grupo Soma criou a Azzas 2154 há dois anos, mas as divergências entre Alexandre Birman e Roberto Jatahy impediram que as sinergias esperadas se consolidassem. Nesse período, cerca de R$ 6 bilhões em valor de mercado foram destruídos.
Com a separação, a companhia será dividida em três partes. A nova Arezzo&Co ficará com calçados, bolsas e Hering, enquanto a nova Soma reunirá marcas como Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Reserva, Oficina e Foxton.
Farm terá controle compartilhado até definição do futuro
A Farm será colocada em uma empresa própria, inicialmente controlada pelos dois grupos. A Arezzo&Co ficará com 57,4% da operação, e a Soma terá os 42,6% restantes. Essa estrutura preserva a participação de ambos enquanto fundos avaliam uma possível entrada e os sócios definem o destino definitivo da marca.
Um IPO em Nova York seria uma etapa posterior, não uma decisão já tomada. A abertura de capital poderia oferecer recursos para expansão e dar liquidez aos atuais acionistas, mas dependeria da avaliação dos investidores, das condições do mercado e da organização financeira da nova empresa.
O que o investidor deve acompanhar daqui para frente
O ponto central será observar se as propostas preliminares evoluirão para uma transação efetiva e como serão distribuídos caixa, dívidas e outros ativos entre as empresas. A separação reduz o conflito de governança, mas também pode eliminar parte dos ganhos que a fusão pretendia gerar.
O JPMorgan avaliou a divisão como positiva por permitir que cada negócio volte a seguir sua própria estratégia, mas manteve recomendação neutra para a Azzas, com preço-alvo de R$ 24,60. Para o mercado, os próximos passos envolvendo a Farm serão importantes para medir quanto vale a marca isoladamente e quanto desse valor poderá ser capturado pelos acionistas.
