ExxonMobil, Chevron e Petrobras divulgaram os resultados do segundo trimestre de 2026 com forte avanço dos lucros, favorecido pela recuperação dos preços do petróleo ao longo do ano. O movimento reforçou a melhora generalizada das grandes petroleiras: entre 15 companhias com dados comparáveis, o lucro líquido médio subiu de cerca de US$ 36,3 bilhões no primeiro trimestre para US$ 85 bilhões no segundo, alta de 134%.

Exxon e Chevron lideram o lucro entre as petroleiras

A ExxonMobil registrou lucro líquido de US$ 14,5 bilhões no segundo trimestre, avanço de 247% em relação aos US$ 4,2 bilhões do primeiro trimestre. A Chevron alcançou US$ 12,1 bilhões, alta de 446% sobre os US$ 2,2 bilhões apurados entre janeiro e março.

O ranking do trimestre também inclui a Shell, com lucro de US$ 10,8 bilhões, e a Petrobras, com US$ 10,1 bilhões — cerca de R$ 52,44 bilhões. Juntas, as quatro empresas concentraram aproximadamente 56% do lucro líquido do grupo comparável.

Como a recuperação do petróleo impulsionou os resultados

O petróleo mais caro aumenta diretamente a receita das empresas que exploram e produzem a commodity. Como parte relevante dos custos operacionais não sobe na mesma velocidade, a valorização do barril tende a ampliar o resultado por unidade produzida e o caixa disponível.

Esse efeito aparece também em empresas de refino, embora com maior influência das margens entre o preço do petróleo e o dos derivados. A Phillips 66 teve lucro de US$ 3,8 bilhões, contra US$ 200 milhões no primeiro trimestre, alta de 1.758%. A Marathon Petroleum avançou de US$ 500 milhões para US$ 5,1 bilhões, crescimento de 906%. As duas partiram de uma base de comparação baixa.

Petrobras tem margens superiores às concorrentes

Embora o lucro nominal da Petrobras tenha ficado abaixo do registrado pelas três maiores companhias internacionais, a empresa brasileira apresentou indicadores de rentabilidade mais elevados. Sua margem líquida, parcela da receita que se transforma em lucro, foi de 30,97%, enquanto a margem Ebitda, que mede a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em 55,36%.

Entre as integradas de porte comparável, ExxonMobil teve margem líquida de 12,83% e margem Ebitda de 24,46%. Na Chevron, os indicadores foram de 17,43% e 33,14%, respectivamente. A Shell registrou 11,21% e 23,92%, enquanto a BP ficou em 6,18% e 19,42%.

Dividendos crescem nas gigantes, mas recuam na Petrobras

ExxonMobil, Chevron, Shell e Petrobras foram as maiores pagadoras de dividendos em valores absolutos no trimestre, com desembolsos de US$ 4,3 bilhões, US$ 3,5 bilhões, US$ 2,2 bilhões e US$ 1,5 bilhão, nessa ordem.

A Petrobras foi a única das quatro a reduzir a distribuição em relação ao primeiro trimestre, quando havia pago US$ 2,2 bilhões. A queda ocorreu mesmo com o lucro líquido crescendo 62% no período. A diferença está ligada tanto ao tamanho das concorrentes quanto à política de alocação de caixa da estatal.

O que os números indicam para investidores e consumidores

O desempenho mostra como os resultados das petroleiras continuam sensíveis ao ciclo da commodity: preços mais altos favorecem lucro e geração de caixa, mas uma eventual reversão tende a pressionar as margens. No caso da Petrobras, a maior rentabilidade operacional não implica necessariamente dividendos maiores, porque a companhia alterou sua política de distribuição.

Até meados de 2023, a estatal destinava 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos à remuneração dos acionistas. O percentual passou para 45%, depois de a empresa ter distribuído aproximadamente R$ 194 bilhões em dividendos em 2022. Para quem acompanha os balanços, portanto, será importante observar simultaneamente o preço do petróleo, o caixa gerado, os investimentos e a política de distribuição nos próximos trimestres.