As exportações de bens e serviços cresceram 35,2% no segundo trimestre e lideraram a recuperação do PIB de Israel, que avançou 15,4% em termos anualizados e com ajuste sazonal. O resultado reverteu a contração provocada pelos combates com o Irã no primeiro trimestre e superou com folga a expectativa de 8,3% dos economistas consultados.

Exportações foram o principal motor da retomada

O salto das exportações mostra que a demanda externa foi o componente mais forte da recuperação entre abril e junho. Quando empresas israelenses vendem mais bens e serviços no exterior, a produção doméstica tende a aumentar, elevando a receita das companhias e a atividade de setores ligados à indústria, tecnologia, transporte e serviços especializados.

A alta também ajudou a compensar o impacto econômico da campanha militar contra o Irã, que havia deprimido a atividade no trimestre anterior. Em vez de uma recuperação sustentada apenas pelo consumo interno ou pelo gasto público, o dado indica uma contribuição relevante das vendas para outros países.

Consumo e governo também aceleraram

O consumo do governo cresceu 19,5% no segundo trimestre, enquanto o consumo privado avançou 14,7%. A formação bruta de capital fixo, medida que reúne investimentos em máquinas, equipamentos, construção e outros ativos produtivos, aumentou 6,3% no mesmo período.

O avanço do consumo privado inclui a compra de bens duráveis, que costuma ser adiada em períodos de incerteza. A melhora nas compras com cartão de crédito em abril e maio, já observada pelo Banco de Israel, reforça a leitura de que as famílias voltaram gradualmente a gastar após o enfraquecimento registrado durante os combates.

Resultado ficou acima do esperado

O crescimento anualizado de 15,4% não significa que a economia tenha crescido 15,4% diretamente entre o primeiro e o segundo trimestre. Essa forma de cálculo transforma o ritmo observado no período em uma taxa equivalente para um ano, facilitando comparações, mas apresentando um número mais elevado do que a variação trimestral simples.

A comparação com o primeiro trimestre, contudo, é expressiva: o PIB havia recuado 2,2%, em dado revisado. A economia, portanto, passou de uma contração associada ao conflito para uma expansão forte no trimestre seguinte, embora o resultado também reflita a base de comparação mais fraca.

Banco de Israel vê crescimento mais forte

O Banco de Israel elevou no mês passado sua projeção de crescimento para 2026 a 4%, depois de avaliar que os dados do primeiro trimestre haviam sido melhores do que o inicialmente esperado. Para 2027, a instituição prevê aceleração para 5,5%.

O indicador mensal de atividade econômica do banco central, referente ao período de abril a junho, já havia apontado uma melhora acentuada em relação ao nível deprimido de março. As exportações de bens estavam entre os fatores que contribuíram para elevar a estimativa de atividade no trimestre.

O que observar nos próximos trimestres

Para Yonie Fanning, estrategista-chefe do Mizrahi Tefahot Bank, a economia deve apresentar uma “recuperação rápida” depois da contração causada pelos combates. Na avaliação dele, os gastos dos consumidores, especialmente com bens duráveis, podem continuar sustentando a retomada.

O próximo desafio será verificar se o desempenho das exportações e do consumo pode se manter depois do efeito inicial da reabertura da atividade. Para investidores e empresas, a trajetória dependerá da continuidade da demanda externa, da normalização do consumo doméstico e dos efeitos econômicos de novos episódios de tensão regional. Para trabalhadores e consumidores israelenses, uma recuperação mais duradoura pode ajudar a recompor renda e atividade, mas ainda depende da estabilidade nos próximos meses.