O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou nesta quarta-feira (9) a plataforma chinesa Xinbi Guarantee e duas entidades que, de acordo com o governo americano, sustentavam suas operações com moeda digital e outros serviços financeiros. A medida amplia a ofensiva contra redes acusadas de operar golpes cibernéticos, fraudes e lavagem de dinheiro contra vítimas nos Estados Unidos.
Como funcionava a rede associada à Xinbi
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) classificou a Xinbi Guarantee como uma organização criminosa transnacional. Segundo o Tesouro, a plataforma era usada por cibercriminosos como um grande mercado on-line para atividades ilícitas, incluindo golpes digitais, fraude financeira e movimentação de recursos de origem criminosa.
As duas entidades atingidas na mesma ação são apontadas como apoiadoras das operações centrais da Xinbi. Elas teriam fornecido ativos digitais e outros serviços financeiros, mecanismos que podem facilitar pagamentos, transferência de valores e ocultação da origem do dinheiro.
O que as sanções americanas mudam
Uma sanção do OFAC restringe transações de pessoas e empresas sujeitas à legislação dos Estados Unidos com os alvos designados. Também pode bloquear ativos que estejam sob jurisdição americana. Na prática, a medida dificulta o acesso da rede ao sistema financeiro, a prestadores de serviços e a plataformas que mantenham relações com instituições dos EUA.
O efeito não depende apenas de a Xinbi manter contas ou operações diretamente nos Estados Unidos. Bancos, corretoras de criptoativos e empresas globais costumam evitar relações com entidades sancionadas para não correr o risco de violar as regras americanas, o que pode isolar financeiramente os alvos.
Apreensão de carteiras digitais acompanha operação
A ação do Tesouro foi coordenada com a Força-Tarefa de Golpes do Departamento de Justiça dos EUA. Na mesma quarta-feira, o grupo apreendeu infraestrutura e carteiras de ativos digitais usadas pela Xinbi, segundo as autoridades americanas.
Carteiras digitais são ferramentas que armazenam as chaves necessárias para movimentar criptomoedas. Quando a infraestrutura e essas carteiras são apreendidas, a rede pode perder acesso a recursos, sistemas de comunicação e canais usados para receber ou distribuir pagamentos. A iniciativa combina, portanto, a punição financeira com uma tentativa de interromper tecnicamente as operações.
Governo Trump promete ampliar combate a golpes
“Centros de golpes no Sudeste Asiático roubam bilhões de dólares de vítimas americanas a cada ano”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Segundo ele, o governo Trump está empenhado em desmantelar essas organizações no exterior e continuará usando suas ferramentas para interromper as redes responsáveis pelas fraudes.
A declaração indica que Washington trata o tema como uma frente de segurança financeira e cibernética, e não apenas como um caso isolado envolvendo uma plataforma de criptomoedas. O foco está em atingir a infraestrutura financeira que permite aos grupos criminosos operar e movimentar recursos.
Medida ocorre em meio à tensão entre EUA e China
A sanção foi anunciada no mesmo dia em que o Ministério do Comércio da China declarou oposição firme a acusações americanas contra empresas chinesas de inteligência artificial. As críticas ocorreram depois de órgãos dos Estados Unidos divulgarem recomendações para que companhias americanas reforcem sua proteção cibernética.
Os episódios pertencem a frentes diferentes, mas reforçam o ambiente de tensão entre Washington e Pequim em torno de tecnologia, segurança digital e acesso a serviços estratégicos. Para quem investe ou acompanha o mercado, o próximo passo será observar possíveis novas sanções, apreensões de ativos digitais e respostas diplomáticas, sem que a ação contra a Xinbi, por si só, represente uma mudança imediata para consumidores ou empresas brasileiras.
