A Empiricus retirou Vivo (VIVT3) e incluiu Porto (PSSA3) em sua carteira de dividendos para setembro, em um momento de maior cautela no mercado brasileiro. A mudança ocorre após a saída de quase R$ 20 bilhões em recursos estrangeiros da B3 e diante da escalada das tensões no Oriente Médio, fatores que aumentaram a busca por empresas com geração de caixa mais previsível.
Por que a Vivo saiu da carteira de dividendos
A troca foi feita depois de a Vivo acumular queda de 8,2% em agosto na B3. A empresa vinha enfrentando um ambiente de mercado mais difícil, em um mês no qual o Ibovespa terminou com recuo de apenas 0,3%, mas chegou a registrar perdas superiores a 6% na primeira quinzena.
O movimento da Empiricus reflete uma estratégia baseada em três critérios: previsibilidade dos resultados, margem de segurança no preço das ações e histórico de distribuição de proventos considerados sustentáveis. A carteira passa a contar com oito ativos selecionados a partir desses parâmetros.
O que atraiu os analistas na Porto
A Porto é líder no segmento de seguro de automóveis, mas também atua nas áreas de saúde, serviços e banking. Para os analistas, essa diversificação pode reduzir a dependência do desempenho das frotas automotivas, que atravessam um período mais desafiador.
Outro fator destacado é o peso das aplicações financeiras no resultado da companhia. O rendimento desses investimentos representa mais de 50% do lucro antes dos impostos, o que favorece a empresa em um cenário de Selic elevada. Juros altos aumentam a remuneração dos recursos aplicados pelas seguradoras, embora também encareçam o crédito e possam pressionar a atividade econômica.
Valuation e dividendos projetados para PSSA3
Nos modelos usados pelos analistas, as ações da Porto são negociadas a 8,3 vezes o lucro esperado para 2026. Esse indicador, conhecido como múltiplo preço sobre lucro, relaciona o valor de mercado da empresa ao resultado projetado e é usado para avaliar se o preço incorpora expectativas muito otimistas ou pessimistas.
A estimativa apresentada para o dividend yield, que mede o retorno dos proventos em relação ao preço da ação, é de 6,3%. A análise também aponta possibilidade de o pagamento superar essa projeção. Trata-se de uma estimativa, e não de garantia de distribuição ou de retorno ao acionista.
Mercado teve mês instável apesar da queda moderada
A saída de quase R$ 20 bilhões em capital estrangeiro ocorreu em agosto, em meio a dúvidas sobre a situação fiscal brasileira, revisões negativas de bancos estrangeiros relacionadas ao cenário eleitoral e sinais de desaceleração da economia nos balanços corporativos.
O ambiente externo acrescentou pressão, com a escalada do conflito no Oriente Médio. Nesse contexto, a leitura da Empiricus é que a exposição à bolsa continua possível, mas deve considerar empresas menos endividadas, geradoras de caixa e capazes de manter resultados mesmo com a economia mais fraca.
O que muda para quem acompanha a carteira
A alteração é uma decisão específica da carteira de dividendos da Empiricus e não representa recomendação geral de compra ou venda de VIVT3 ou PSSA3. O desempenho futuro das ações dependerá dos resultados das empresas, dos juros, da economia brasileira e do cenário internacional.
A carteira, criada em outubro de 2023, acumula alta de 77,6%, ante 57% do Ibovespa no mesmo período, conforme o material divulgado pela casa. Para os próximos meses, os principais pontos de acompanhamento são a trajetória da Selic, a evolução do fluxo estrangeiro na B3 e a capacidade da Porto de sustentar seus resultados e proventos.
