A Embraer e a SPX Capital anunciaram a fusão da Tempest Security Intelligence com a Vision Cybersecurity, criando uma empresa de cibersegurança com faturamento anual de R$ 700 milhões, 900 funcionários e 600 clientes. A companhia ainda não tem nome definido e nasce com o objetivo de ampliar sua atuação no Brasil e, posteriormente, na América Latina e na América do Norte.

Fusão reúne empresas com perfis complementares

A Tempest pertence à Embraer desde 2020 e tem origem no Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar), onde foi criada em 2000. Sua carteira é concentrada principalmente em grandes companhias, com faturamento superior a R$ 1 bilhão. A Vision, por sua vez, foi adquirida pela SPX em janeiro e atende sobretudo empresas de porte médio.

Apesar da diferença no perfil dos clientes, as duas companhias oferecem serviços semelhantes. Elas analisam vulnerabilidades em softwares, plataformas digitais, aplicativos, chatbots e sistemas industriais, incluindo operações dos setores varejista e automobilístico.

Nova companhia terá SPX como controladora

A operação não envolve pagamento em dinheiro. A estrutura será feita por meio de uma troca de ações, e a SPX ficará como maior acionista e controladora da nova empresa. A Embraer continuará como acionista relevante do negócio combinado.

André Fleury, atual CEO da Vision Cybersecurity, comandará a companhia. João Lins, que hoje preside a Tempest, ocupará o cargo de vice-presidente de tecnologia e inovação. Para a Embraer, a segurança do ambiente digital tem importância estratégica, especialmente por sua atuação em setores industriais e no mercado internacional.

Estratégia prevê crescimento orgânico e aquisições

O plano inicial é buscar crescimento orgânico, com a expansão da carteira de clientes e o aproveitamento da presença internacional construída pela Tempest com apoio da Embraer. A fabricante de aviões começou a investir na empresa em 2015, por meio de um fundo de inovação que também contava com a participação do BNDES.

A companhia combinada, contudo, não descarta novas aquisições. O aporte de até R$ 400 milhões realizado pela SPX na compra da Vision, em janeiro de 2026, será usado na integração dos negócios e em investimentos iniciais da nova estrutura.

Serviços vão da prevenção à resposta a ataques

Entre as atividades estão os Centros de Operação de Segurança (SOC), estruturas que reúnem profissionais, processos e tecnologia para monitorar redes, detectar problemas, analisar incidentes e reagir a ataques digitais. Na prática, esses centros funcionam como uma área de vigilância permanente da infraestrutura tecnológica dos clientes.

As empresas também monitoram tendências e sinais de ataques externos. Esse trabalho permite uma resposta preemptiva: identificar ameaças e tentar neutralizá-las antes que provoquem danos. A combinação dos serviços atende à demanda de empresas que precisam proteger dados, sistemas operacionais e plataformas digitais cada vez mais conectadas.

Marcas serão mantidas até a conclusão da operação

Até o fechamento da transação, Tempest e Vision continuarão operando de forma independente, e as duas marcas serão preservadas inicialmente. As sedes regionais também serão mantidas em Recife (PE), Vitória (ES) e São Paulo (SP).

A conclusão depende das aprovações regulatórias habituais, incluindo a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para quem acompanha a Embraer, o negócio amplia a presença da companhia em uma área de tecnologia considerada estratégica, mas os efeitos financeiros imediatos tendem a ser limitados, já que não haverá pagamento em dinheiro. O principal passo seguinte será a aprovação da operação e a integração das equipes, clientes e plataformas.