As ações da Embraer (EMBJ3) subiram 3,85%, para R$ 96,04, por volta das 16h20 desta quarta-feira (12), liderando novamente as altas do Ibovespa após desempenho positivo na segunda-feira (10). Sem um fato relevante novo divulgado na sessão, o movimento foi associado à leitura mais favorável da XP Investimentos sobre a capacidade de a fabricante elevar sua lucratividade nos próximos anos.
XP vê espaço para novas revisões positivas nos resultados
Após conversar com o diretor de relações com investidores, Guilherme Paiva, e sua equipe, os analistas da XP afirmaram estar “incrementalmente mais construtivos” com a perspectiva de lucros da Embraer. A avaliação considera que a companhia pode apresentar uma rentabilidade estruturalmente maior em diferentes áreas de negócio.
Na prática, isso significa que a XP acredita que a empresa pode ganhar mais dinheiro sobre a receita gerada, mesmo que as vendas não avancem no mesmo ritmo. A casa destacou a melhora contínua da lucratividade em suas unidades, principalmente na Aviação Executiva e na área de Serviços.
A XP também apontou uma melhora na qualidade da carteira de pedidos (backlog). À medida que contratos antigos são concluídos e substituídos por encomendas feitas em um ambiente mais favorável de oferta e demanda, a companhia pode operar com condições comerciais melhores.
Resultado do segundo trimestre reforçou a percepção positiva
A Embraer registrou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 25%. O desempenho foi impulsionado principalmente pela operação mais forte e pela redução das despesas financeiras líquidas, embora tenha sido parcialmente limitado por impostos mais altos no período.
O resultado ajudou a manter no radar as perspectivas divulgadas pela administração. A empresa preservou a previsão de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos em 2026.
Margem e fluxo de caixa foram os principais ajustes
A estimativa de receita anual permaneceu entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. Já a projeção de margem EBIT ajustada, indicador que mostra quanto da receita se transforma em resultado operacional antes de juros e impostos, subiu de uma faixa entre 8,7% e 9,3% para 10% a 10,6%.
A companhia também elevou a previsão de fluxo de caixa livre ajustado, que representa o dinheiro gerado após os investimentos necessários para manter e expandir a operação. A estimativa passou de pelo menos US$ 200 milhões para US$ 400 milhões ou mais em 2026.
Segundo a XP, parte da revisão refletiu a retirada de premissas relacionadas a tarifas nos Estados Unidos e créditos tributários reconhecidos no segundo trimestre. Ainda assim, os analistas veem potencial para novas revisões positivas, porque o ponto médio da projeção indica margens amplamente estáveis no segundo semestre, mesmo com maior escala na Aviação Comercial.
Serviços, Eve e Índia ampliam as opções de crescimento
Além do desempenho atual, a XP considera que a área de Serviços pode se tornar uma fonte de expansão mais relevante depois do ciclo atual. Esse segmento tende a diversificar as receitas da Embraer para além da venda de aeronaves, por meio de atividades relacionadas à manutenção e ao suporte da frota.
Os analistas também citaram possibilidades futuras ligadas à Eve, empresa de mobilidade aérea urbana, e à Índia. A avaliação, porém, inclui a necessidade de preservar os retornos aos acionistas enquanto a Embraer decide como direcionar o capital para a próxima etapa de crescimento.
O que o movimento representa para quem acompanha a ação
A XP reiterou a recomendação de Compra para EMBJ3, com preço-alvo de R$ 87. Esse valor é uma estimativa para a ação e estava abaixo da cotação de R$ 96,04 registrada durante o pregão, mostrando que a reação positiva do mercado esteve mais ligada à possibilidade de lucros maiores do que a uma simples mudança no preço-alvo.
Para os investidores, os próximos pontos de acompanhamento são a evolução das margens, a geração de caixa, as entregas de aeronaves e a qualidade dos novos pedidos. Esses indicadores ajudarão a verificar se a melhora da rentabilidade é duradoura ou se dependeu principalmente de efeitos específicos registrados no segundo trimestre.
