A Embraer (EMBJ3) entregou nesta segunda-feira (10) um resultado que surpreendeu o mercado: lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 24,5% sobre os R$ 890,3 milhões do mesmo período de 2025. A receita somou R$ 11,3 bilhões, crescimento de 10% e recorde histórico para o trimestre. As ações dispararam e lideraram as altas do Ibovespa, com ganho de cerca de 8,9% no meio da manhã.
Os números do segundo trimestre
O lucro ajustado excluiu itens extraordinários de R$ 29,4 milhões ligados à Eve, divisão de carros voadores da companhia. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu para R$ 1,81 bilhão, contra R$ 1,39 bilhão no mesmo trimestre de 2025, com margem de 16%. O Ebit ajustado (antes de juros e impostos) atingiu R$ 1,51 bilhão, com margem de 13,4% — descontando impactos de tarifas dos EUA e crédito tributário extraordinário, a margem seria de 10,6%.
O fluxo de caixa livre também cresceu, chegando a R$ 2 bilhões no trimestre, já excluindo a Eve. A empresa entregou 65 aeronaves no período, sendo 20 jatos comerciais e 45 executivos, um aumento de 7% frente às 61 do mesmo período de 2025. A carteira de pedidos segue robusta, em US$ 34,5 bilhões.
O que explica o desempenho
Parte do crescimento veio do aumento das entregas e da demanda contínua por aviões e serviços. O CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, atribuiu parte do bom momento ao cenário geopolítico atual, com o conflito no Oriente Médio, que mantém o transporte aéreo de passageiros resiliente e eleva a procura na frente de defesa e segurança.
Mas o que mais chamou a atenção de analistas foi a melhora da rentabilidade. A margem do segmento de serviços saltou de 15,6% para 18,8%, e a empresa projeta mantê-la entre 17% e 18% nos próximos períodos. Já a margem da aviação comercial caiu de 4,2% para 2,9%, mas o executivo afirmou que a rentabilidade do setor deve se recuperar até o fim do ano e ficar alinhada com a de 2025.
A aposta na eficiência operacional
Gomes Neto destacou que a companhia tem um projeto contínuo de eficiência em toda a linha de produção. Um exemplo: em 2021, um jato executivo Praetor levava 18 meses para ficar pronto; hoje, o mesmo avião é construído em 8,5 meses. “Estamos fazendo isso com todos os aviões, para produzir mais com a mesma estrutura”, disse. A empresa também conversa com fornecedores para reduzir atrasos na entrega de peças, o que pode acelerar ainda mais a produção.
O executivo afirmou que “a lucratividade deve crescer mais que as receitas nos próximos anos”, e que os ganhos de eficiência atravessam toda a organização. A previsão da fabricante é de que o aumento de rentabilidade esteja apenas no começo, o que sustenta a visão de crescimento de longo prazo.
Reação do mercado e o que acompanhar
A forte alta das ações EMBJ3 reflete a combinação de lucro recorde, receita crescente e sinais de melhoria estrutural de margens. Para quem acompanha o mercado, o destaque é a capacidade da empresa de transformar escala em rentabilidade, algo que historicamente foi um desafio para a fabricante.
O próximo passo é ver se a empresa consegue manter o ritmo de entregas e o crescimento das margens nos próximos trimestres, especialmente diante de possíveis custos com tarifas comerciais e da evolução do programa da Eve. A expectativa é que a companhia continue aproveitando a demanda global por aviões e serviços, mas a evolução do conflito no Oriente Médio e a cadeia de suprimentos ainda merecem atenção.
