Mesmo com 66 aeronaves entregues no terceiro trimestre de 2026, recorde da Embraer para o período, a companhia ficou ligeiramente abaixo das projeções de analistas. A avaliação, porém, não foi só negativa: casas que acompanham a empresa destacaram que a distribuição mais equilibrada das entregas ao longo do ano pode reduzir o risco de concentração no fim do calendário e aumentar a previsibilidade dos resultados.
Entregas ficaram aquém das estimativas em duas divisões
Na Aviação Comercial, foram entregues 22 jatos entre julho e setembro: 11 do modelo E175 e 11 da família E2. O Bradesco BBI projetava 23 unidades, enquanto o consenso de mercado apontava 22. Na Aviação Executiva, a Embraer entregou 41 jatos, ante estimativas de 46 do BBI e 45 do consenso.
Além dos jatos comerciais e executivos, a empresa entregou dois A-29 Super Tucanos e um KC-390 Millennium, totalizando as 66 aeronaves do trimestre. Considerando apenas os jatos, o volume foi de 64 unidades, abaixo das 70 esperadas pelo JP Morgan e das 69 projetadas pelo consenso. Apesar das diferenças, o total de entregas avançou 2% em relação ao segundo trimestre e 6% ante o mesmo período de 2025.
Composição das entregas influencia a receita estimada
O número de aeronaves não conta toda a história: os modelos entregues também afetam a receita que analistas estimam para o período. Com base na composição do trimestre, o JP Morgan calculou receita aproximada de US$ 2,2 bilhões, alta de 10% na comparação anual. A estimativa ficou em linha com o consenso, mas 9% abaixo da projeção do próprio banco, que esperava uma participação maior dos modelos Praetor e E2.
Por isso, o banco esperava uma reação levemente negativa do mercado: a receita estimada não alcançou sua previsão, ainda que tenha coincidido com a expectativa média. A leitura veio depois de a ação acumular queda de 6% na semana anterior, enquanto o Ibovespa subiu 2% no mesmo intervalo. No pregão desta sexta-feira (2), por volta das 15h45, os papéis da Embraer avançavam 0,55%, a R$ 97,56, após começarem o dia em baixa.
Produção mais distribuída é o sinal positivo
O ponto favorável ressaltado pelos analistas foi a mudança na dinâmica das entregas. Segundo o Bradesco BBI, os números indicam menor concentração na parte final do ano, o que reduz o risco de a companhia ficar distante de sua orientação anual por causa de atrasos ou acúmulo de entregas nos últimos meses.
Na Aviação Executiva, as 41 unidades entregues representaram estabilidade em relação a um ano antes. O Santander avaliou esse desempenho como moderadamente positivo e apontou que os esforços para nivelar a produção parecem estar funcionando. A companhia vem distribuindo melhor as entregas ao longo do ano, em vez de concentrá-las nos segundos semestres, como ocorria anteriormente.
O que acompanhar até o fim de 2026
A Embraer manteve a expectativa de entregar, em 2026, entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos. O resultado do trimestre, portanto, precisa ser observado junto com o ritmo dos próximos meses e com a capacidade da empresa de cumprir essas faixas. A diferença para as projeções dos analistas, isoladamente, não altera a orientação divulgada pela companhia.
Para quem acompanha a ação, o dado novo é o equilíbrio entre um volume abaixo das estimativas e sinais de maior regularidade operacional. Entregas mais distribuídas podem tornar os resultados e a geração de fluxo de caixa livre — o dinheiro que sobra após os gastos e investimentos — menos sujeitos a oscilações entre trimestres. Isso é uma possibilidade apontada pelos analistas, não uma garantia: os próximos números mostrarão se a tendência se mantém.
