As ações da Embraer caíam 3,95%, a R$ 94,37, por volta das 16h10 desta segunda-feira (5), enquanto o Ibovespa avançava 8% e renovava recordes, perto dos 207 mil pontos. A queda da fabricante se destaca entre poucas baixas do pregão e ocorre em meio à forte desvalorização do dólar, que pode reduzir o valor em reais de suas receitas.

Dólar abaixo de R$ 5 pesa sobre as receitas

Por volta das 14h45, o dólar à vista era negociado a R$ 4,9940, recuo de 4,19%. Durante o dia, a moeda chegou a cair 5,03%, a R$ 4,9540. O movimento contrasta com a alta do dólar no exterior, atribuída à pressão dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

O efeito sobre a Embraer vem da composição de suas receitas e despesas. Como quase toda a receita da companhia é cotada em dólar, a conversão das vendas para reais rende menos quando a moeda americana perde valor. Parte dos custos, por sua vez, é em reais; assim, a queda cambial pode pressionar o resultado medido na moeda brasileira.

Exportadoras sentem o efeito do câmbio

Empresas que vendem ao exterior tendem a se beneficiar de um dólar mais caro: além de converter suas receitas estrangeiras em mais reais, podem ganhar competitividade em relação a produtos de outros países. O movimento inverso pode pesar sobre as ações dessas companhias, como Embraer, Klabin e WEG.

Esse fator ajuda a explicar por que a fabricante ficou na contramão do mercado, mesmo em um pregão de forte alta. A queda da moeda não significa, por si só, que houve mudança nas entregas ou nos pedidos da empresa, mas altera as expectativas dos investidores para o valor das receitas e dos resultados em reais.

Eleição impulsiona o Ibovespa

A alta do índice ocorreu com investidores repercutindo o primeiro turno das eleições. Flávio Bolsonaro (PL) abriu vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os dois disputarão o segundo turno. O mercado passou a projetar uma vitória do senador, segundo a análise do pregão.

Essa leitura favoreceu ações cíclicas e sensíveis aos juros — papéis de empresas cuja atividade pode reagir mais às perspectivas para a economia e o custo do crédito. Enquanto esses ativos avançavam, a queda do dólar funcionava como um fator específico de pressão para exportadoras, ajudando a explicar a diferença entre a alta do Ibovespa e o desempenho da Embraer.

Entregas seguem em nível recorde para o trimestre

O recuo das ações também contrasta com os dados operacionais divulgados pela Embraer. A empresa entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, o melhor resultado já registrado para esse período. O total foi 6% maior que o do mesmo trimestre de 2025 e 2% superior ao do trimestre anterior.

Nos nove primeiros meses de 2026, foram entregues 175 aeronaves, ante 153 no mesmo intervalo do ano passado, alta de 14%. A companhia atribuiu o avanço ao progresso de iniciativas para nivelar a produção e mantém a expectativa de entregar, em 2026, entre 80 e 85 aviões comerciais e de 160 a 170 jatos executivos.

O que acompanhar após a queda

Para quem acompanha a empresa, o pregão mostra como o câmbio pode influenciar a cotação mesmo quando os números de entregas são positivos. O desempenho das ações também reflete as expectativas sobre os resultados futuros, não apenas os dados operacionais já divulgados.

Nos próximos pregões, a trajetória do dólar e as novas informações sobre a produção e as entregas estarão entre os fatores a observar. As projeções de entrega para 2026 seguem como referência para avaliar o ritmo operacional, enquanto o resultado do segundo turno pode continuar influenciando as expectativas do mercado.