Os veículos elétricos representaram 10,4% das vendas de veículos no Brasil em agosto, com 27,3 mil unidades comercializadas de um total de 275,1 mil. O resultado mostra que a eletrificação ganhou espaço rapidamente no mercado brasileiro: quando são incluídos também os modelos híbridos e híbridos plug-in, os veículos eletrificados responderam por 24,4% das vendas do mês.

Participação dos elétricos mais que dobrou desde fevereiro

A fatia dos elétricos avançou de 5% em fevereiro para 7,4% em abril, 9,7% em julho e 10,4% em agosto. Em apenas seis meses, portanto, a participação mais que dobrou, indicando aceleração da procura por modelos movidos exclusivamente a eletricidade.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, classificou o ritmo de crescimento como acentuado. Em agosto de 2025, foram vendidas 7,7 mil unidades elétricas, número que serve de referência para a expansão observada neste ano.

Híbridos ampliam o avanço da eletrificação

O movimento não está restrito aos carros totalmente elétricos. Os híbridos, que combinam motor a combustão e propulsão elétrica, passaram de 6,1% das vendas em fevereiro para 6,8% em agosto.

Já os híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada e também têm motor a combustão, aumentaram sua participação de 4,8% para 7,3% no mesmo intervalo. Somadas as três categorias, a eletrificação já alcançou quase um quarto do mercado brasileiro.

Importações de eletrificados crescem 84,3%

A expansão das vendas veio acompanhada de maior entrada de veículos eletrificados no país. Entre janeiro e agosto, as importações desses modelos cresceram 84,3% em relação ao mesmo período de 2025. Na direção oposta, as compras externas de veículos a combustão recuaram 5,6% na comparação anual.

A China se tornou a principal origem das importações brasileiras. As compras de veículos chineses avançaram 109,9% nos oito primeiros meses de 2026, para 221,2 mil unidades. Com isso, o país asiático passou a responder por 54,2% das importações totais de veículos destinadas ao Brasil. A Argentina, que liderava até o ano passado, teve queda de 14,8%, para 114,8 mil unidades.

Produção nacional também aumenta

Apesar do peso das importações, a oferta de eletrificados produzidos ou montados no Brasil também cresceu. De janeiro a agosto, o volume nacional subiu de 41 mil unidades em 2025 para 62 mil em 2026.

Os veículos montados a partir de kits CKD e SKD — conjuntos de peças enviados ao país para montagem local — já somaram 83 mil unidades no acumulado deste ano. Considerando veículos importados e nacionais, o total de eletrificados passou de 165 mil para 372 mil unidades na comparação dos oito primeiros meses.

O que os números indicam para consumidores e investidores

Para o consumidor, o avanço significa uma oferta mais ampla de veículos elétricos e híbridos, com participação crescente de marcas chinesas e aumento da montagem local. A composição do mercado também muda a relevância de fatores como infraestrutura de recarga, custo de aquisição e disponibilidade de peças, embora esses pontos não tenham sido detalhados nos dados divulgados.

Para quem acompanha a economia, a mudança afeta a composição das importações e amplia a presença da China no setor automotivo brasileiro. O próximo passo será observar se a produção nacional continuará avançando e se a participação dos elétricos manterá o ritmo registrado entre fevereiro e agosto.