Eduardo Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (11) que Marcelo Kayath é um nome forte para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. A declaração coloca no debate eleitoral um executivo com experiência no mercado financeiro e sinaliza uma possível prioridade para atração de investimentos, ajuste das contas públicas e crescimento econômico.
Quem é Marcelo Kayath e por que seu nome ganhou força
Kayath é fundador da QMS Capital e trabalhou por cerca de duas décadas no Credit Suisse, onde chegou ao cargo de diretor-geral para a América Latina. Ele também ficou conhecido por sua atuação em IPOs, ofertas públicas iniciais de ações que permitem a uma empresa captar recursos no mercado ao abrir seu capital.
Na avaliação de Eduardo, essa trajetória faria de Kayath um especialista em apresentar o Brasil a investidores estrangeiros e atrair capital internacional. O ex-deputado afirmou que o executivo tem relações com agentes relevantes do mercado financeiro dos Estados Unidos e o classificou como uma pessoa “arrojada”.
Da proximidade com Lula à atuação na campanha de Flávio
A possível indicação também chama atenção pela mudança de posicionamento político de Kayath. Em 2022, ele apoiou Luiz Inácio Lula da Silva na disputa contra Jair Bolsonaro, pai de Eduardo e Flávio.
Neste ano, porém, Kayath se aproximou da família Bolsonaro e passou a atuar como conselheiro da campanha de Flávio. Eduardo disse ter se reunido quatro vezes com o executivo, incluindo um encontro na quinta-feira (10), e afirmou que os dois identificaram “convergência de ideias em vários aspectos”.
Apesar da defesa pública, Eduardo ressaltou que não há decisão tomada e que outros nomes continuam sendo avaliados. Uma fonte ligada à campanha afirmou que o foco permanece na eleição e que ainda não existe um favorito definido para comandar a área econômica.
O que Kayath defende para as contas públicas
Em entrevista nesta sexta-feira, Kayath disse que pretende ajudar a formular soluções para os desafios do país a partir de uma nova agenda de crescimento sustentável. Ele afirmou que, inicialmente, seria necessário fazer ajustes para colocar a economia “nos trilhos”, mas sem desmontar programas sociais.
Ao tratar das despesas obrigatórias, o executivo defendeu eventuais cortes “cirúrgicos”, e não medidas amplas ou automáticas. Na visão apresentada, o objetivo do ajuste não deveria ser agradar ao mercado financeiro, mas tornar a política social mais eficiente e sustentável e melhorar a vida da população.
O impacto político da escolha para a economia
A eventual presença de Kayath na Fazenda poderia funcionar como uma ponte entre uma candidatura de direita e investidores que acompanham a condução fiscal do Brasil. A Fazenda define, entre outros pontos, a estratégia para receitas, despesas, dívida pública e medidas de estímulo ou contenção da economia.
Uma indicação com perfil ligado ao mercado poderia contribuir para uma comunicação mais próxima com investidores nacionais e estrangeiros. Por outro lado, a defesa de ajustes preservando programas sociais mostra que o nome também tenta se posicionar diante da pressão por equilíbrio fiscal sem ampliar o custo para os grupos mais vulneráveis.
O que falta definir antes de qualquer indicação
Flávio Bolsonaro aparece em situação de empate técnico com Lula em pesquisas recentes, com alguns levantamentos apontando, pela primeira vez, uma vantagem numérica estreita para o senador. Ainda assim, o resultado eleitoral e a formação de um eventual governo continuam em aberto.
Para quem investe, consome ou trabalha, a escolha da Fazenda só produziria efeitos concretos caso a candidatura vencesse e o nome fosse oficialmente confirmado. Até lá, o principal sinal é político: Kayath passou a ser associado a uma agenda que combina atração de capital estrangeiro, correções nas contas públicas e preservação de programas sociais.
