A economia brasileira recuou 0,4% na passagem de junho para julho, segundo estimativa do Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi o segundo mês seguido de retração, depois de uma queda de 1% em junho, sinalizando perda de força em um ambiente marcado por juros elevados, endividamento das famílias e pressões externas.
Agropecuária recua e indústria e serviços ficam estagnados
A estimativa considera o desempenho conjunto da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária, com ajuste sazonal para permitir a comparação entre períodos diferentes. A economista Juliana Trece, coordenadora do estudo, afirmou que o resultado refletiu o enfraquecimento das três grandes atividades econômicas.
Na comparação com julho de 2025, porém, houve alta de 1,3%. No acumulado de 12 meses até julho, o avanço foi de 1,8%, abaixo dos 2,2% registrados até junho. Em valores correntes, o Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, é estimado em R$ 7,853 trilhões no acumulado até julho.
Juros altos limitam consumo e crédito
O cenário doméstico continua pressionado pela Selic elevada e pelo endividamento das famílias. Juros altos aumentam o custo de empréstimos, financiamentos e do cartão de crédito, reduzindo o espaço no orçamento para novas compras e investimentos das empresas.
O consumo das famílias, que representa mais de 60% do PIB, cresceu 0,4% no trimestre móvel encerrado em julho. Foi o ritmo mais fraco desde o trimestre terminado em outubro de 2025, quando a expansão havia sido de 0,2%, segundo a FGV.
Investimentos avançam pelo quarto trimestre seguido
Apesar da desaceleração geral, a Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que acompanha os investimentos em máquinas, equipamentos e outros ativos produtivos, cresceu 1,4% no trimestre móvel até julho.
Foi a quarta alta consecutiva. O dado sugere que os investimentos ainda apresentam alguma resistência, embora o custo elevado do dinheiro possa dificultar a continuidade desse movimento caso a demanda interna permaneça enfraquecida.
Tarifas dos EUA e petróleo aumentam as incertezas
O ambiente externo também contribuiu para o resultado. A elevação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras dificulta as vendas ao mercado americano e aumenta a incerteza para empresas que dependem do comércio exterior.
A alta do petróleo, associada à guerra no Oriente Médio, também representa uma fonte de pressão. O combustível mais caro eleva custos de transporte e produção e pode chegar aos preços pagos pelos consumidores, além de influenciar as decisões de política monetária.
O que o resultado indica para os próximos meses
O desempenho de julho reforça a percepção de uma economia em desaceleração. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, apontou queda de 0,2% no mesmo mês, na comparação com junho, enquanto o BC estima crescimento de 1,5% em 12 meses.
O PIB oficial é divulgado trimestralmente pelo IBGE. No segundo trimestre, a economia cresceu 0,5% ante os três meses anteriores e acumulou alta de 1,9% em 12 meses. O resultado do terceiro trimestre será conhecido em 2 de dezembro. Para 2026, o relatório Focus projetava crescimento de 1,89%.
Impacto para a sociedade
A perda de ritmo da economia pode afetar a geração de empregos, a renda e o consumo ao longo dos próximos meses. Juros elevados também encarecem empréstimos e financiamentos, enquanto o petróleo mais caro pode pressionar os preços de combustíveis e outros produtos.
