As condições econômicas são hoje o principal obstáculo para o Brasil se tornar uma potência global do entretenimento, afirmou Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, empresa organizadora do Rock in Rio. A declaração coloca no centro do debate a capacidade de eventos culturais de atrair investimentos, turistas, patrocinadores e empregos, justamente no início da edição de 2026 do festival, nesta sexta-feira (4).

Rock in Rio deve movimentar R$ 3,36 bilhões

A edição deste ano tem uma projeção de impacto econômico de R$ 3,36 bilhões no país, de acordo com levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV). O valor representa crescimento nominal de aproximadamente 26,8% em relação aos R$ 2,65 bilhões estimados para a edição de 2017.

A operação deve envolver 33,9 mil postos de trabalho: são 22,8 mil empregos diretos e 11,1 mil indiretos relacionados à Cidade do Rock. A cada R$ 1 aplicado na realização do festival, a estimativa é de que R$ 6,59 sejam movimentados na economia brasileira.

Por que as condições econômicas limitam o setor

Na avaliação de Roberta, o entretenimento depende de uma cadeia ampla, que inclui o público, empresas patrocinadoras, fornecedores, profissionais especializados e os negócios que recebem os visitantes. Quando as condições econômicas dificultam o consumo ou reduzem a disposição das empresas para investir em marketing, a organização de grandes eventos se torna mais complexa.

O impacto não fica restrito à venda de ingressos. A executiva afirma que hotéis, restaurantes e transportes também se beneficiam do festival. Cerca de metade do público vem de fora do estado do Rio de Janeiro, o que amplia o período de permanência dos visitantes e espalha parte da receita pela economia local.

Turismo transforma música em atividade econômica

A presença de visitantes de outros estados e países ajuda a explicar por que a música é tratada pela companhia como um ativo turístico, e não apenas como uma atração cultural. O turista que viaja para o evento gasta com hospedagem, alimentação, deslocamento e outros serviços, gerando receitas para empresas que não participam diretamente da produção do festival.

Roberta também destacou que estudos da indústria do turismo apontam o entretenimento como um dos fatores que influenciam decisões de viagem. A entrada de turistas internacionais pode deixar recursos ainda maiores nas cidades que recebem grandes eventos, segundo a executiva.

Patrocínio é parte central do modelo financeiro

O modelo de negócios do Rock in Rio combina bilheteria e patrocínio. A lógica foi adotada desde a primeira edição, em 1985, quando o ingresso custava o equivalente a um dólar. Mesmo com a venda de 1,38 milhão de ingressos, a receita dos ingressos não seria suficiente para pagar toda a estrutura sem o apoio de uma marca patrocinadora.

A solução foi transformar o festival em uma plataforma de comunicação para as empresas. Em vez de limitar a exposição da marca aos dias do evento, o projeto passou a ampliar a estratégia de divulgação por cerca de seis meses, aumentando o período para que o patrocinador obtivesse retorno.

O que o evento sinaliza para empresas e trabalhadores

Para quem trabalha ou presta serviços ligados a eventos, a edição de 2026 mostra o potencial de uma cadeia que reúne produção cultural, turismo, publicidade e logística. Para consumidores, a movimentação tende a aparecer na procura por hospedagem, alimentação e transporte durante o festival, especialmente no Rio de Janeiro.

Para as empresas, o caso reforça que grandes eventos dependem de mais do que público e atrações: exigem patrocínio, planejamento e uma economia capaz de sustentar gastos de lazer e comunicação. O próximo passo, na visão de Roberta Medina, é superar as restrições econômicas para que o Brasil consiga transformar essa capacidade de realização em uma indústria de entretenimento ainda maior.

Impacto para a sociedade

A realização do Rock in Rio movimenta empregos, hotéis, restaurantes e transportes, com efeitos diretos para trabalhadores e empresas ligadas ao evento. A edição de 2026 deve envolver 33,9 mil postos de trabalho, entre diretos e indiretos, embora parte desse impacto esteja concentrada no período de operação do festival.