O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (17) que o Brasil precisa enfrentar o nível dos juros e que um dos principais caminhos passa pelo lado fiscal. A avaliação importa porque a trajetória das contas públicas influencia o risco percebido pelos investidores, o custo de financiamento do governo e, por consequência, as condições de crédito para empresas e famílias.
Por que o governo relaciona juros e contas públicas
Durigan disse que o país precisa alcançar “juros civilizados” para discutir a expansão do crédito. Na avaliação do ministro, demonstrar compromisso com o equilíbrio fiscal pode ajudar a reduzir o chamado prêmio de risco, que é o retorno adicional exigido pelos investidores para aplicar em ativos de um país considerado mais arriscado.
Quando esse prêmio diminui, o governo tende a pagar menos para emitir títulos. O efeito também pode se espalhar pela economia, porque as taxas cobradas de empresas e consumidores costumam incorporar o custo de captação do sistema financeiro e a percepção de risco sobre o país. Isso não significa uma queda automática da Selic ou dos juros bancários, mas pode melhorar as condições para que esse movimento ocorra.
Trajetória prevista no PLDO será perseguida
O ministro reiterou que o governo pretende cumprir a trajetória de resultado fiscal prevista no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO). O resultado fiscal, ou resultado primário, corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. A promessa de seguir essa trajetória busca oferecer maior previsibilidade para as contas públicas.
Durigan afirmou que, desde 2023, as Leis de Diretrizes Orçamentárias vêm projetando um caminho para o superávit fiscal e que o governo pretende manter essa direção. Ele também declarou que o país “praticamente zerou o déficit público”, mas ponderou que ainda é necessário estabilizar a trajetória da dívida.
Ajuste de cerca de 2 pontos do PIB
Segundo Durigan, houve um ajuste de aproximadamente 2 pontos porcentuais do PIB durante a atual gestão. O ministro afirmou que esse esforço precisará ser repetido daqui para a frente, com o objetivo de demonstrar que o governo continuará avançando na consolidação das contas.
A referência ao PIB ajuda a dimensionar o esforço fiscal em relação ao tamanho da economia, e não apenas em valores nominais. Para a dívida pública, porém, não basta melhorar o resultado primário em um único período: também é necessário impedir que a relação entre dívida e PIB siga uma trajetória de alta. Por isso, o ministro destacou a necessidade de estabilização.
Juros afetam governo, empresas e consumidores
O ministro afirmou que o desafio aparece tanto no desenvolvimento nacional quanto nas conversas com empresários. Ao vender títulos, o governo precisa oferecer remuneração compatível com a percepção de risco e com as condições monetárias. Quanto maior esse custo, maior a parcela do orçamento comprometida com juros, reduzindo espaço para outras despesas públicas.
Para as empresas, juros altos encarecem capital de giro, investimentos e financiamentos de longo prazo. Para as famílias, o impacto aparece em empréstimos, financiamentos e compras parceladas. Na renda fixa, taxas elevadas aumentam o retorno de novas aplicações atreladas aos juros, mas também refletem um ambiente de crédito mais caro e de maior pressão sobre a atividade econômica.
O que observar daqui para frente
Durigan disse esperar que a continuidade do ajuste ajude a reduzir o risco e abra caminho para uma queda dos juros no Brasil. A declaração, porém, coloca a execução das metas fiscais no centro da avaliação: não basta apenas projetar resultados, será preciso comprovar a capacidade de cumprir o que foi enviado ao Congresso.
Para quem investe, consome ou trabalha, os próximos sinais estarão na evolução das contas públicas e na resposta do mercado às medidas do governo. Um ambiente fiscal mais previsível pode favorecer crédito e investimentos, enquanto dúvidas sobre a dívida tendem a manter elevados os custos de financiamento. A definição das condições monetárias continuará dependendo também das decisões do Banco Central e do comportamento da economia.
Impacto para a sociedade
Juros elevados encarecem financiamentos, empréstimos e compras parceladas, além de aumentarem o custo para o governo pagar sua dívida. Se a política fiscal contribuir para reduzir o risco percebido no país, o efeito pode chegar ao crédito para famílias e empresas e às condições de investimento e emprego.
