O dólar à vista recuou abaixo de R$ 5,10 nesta terça-feira (8), negociado a R$ 5,080, em meio à disputa eleitoral acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A queda de 0,98% reflete a reação dos investidores às novas pesquisas, mas também incorpora expectativas sobre juros nos Estados Unidos, inflação brasileira e a atuação do Banco Central.
Pesquisa eleitoral amplia disputa pelo câmbio
A pesquisa BTG/Nexus mostrou Flávio e o escritor Augusto Cury numericamente à frente de Lula nas intenções de voto para um eventual segundo turno, embora todos estejam em situação de empate técnico. O resultado reforçou a percepção de uma eleição competitiva em outubro e levou o mercado a ajustar posições no câmbio.
Em períodos eleitorais, o dólar costuma reagir às perspectivas sobre política econômica, contas públicas e estabilidade institucional. A moeda americana pode subir quando investidores buscam proteção diante de maior incerteza, pressionando ativos brasileiros. Nesta sessão, porém, o movimento predominante foi de valorização do real, apesar de o ambiente doméstico continuar sendo monitorado.
Cotação fica abaixo de R$ 5,10 no mercado à vista
Às 11h45, o dólar comercial era negociado a R$ 5,079 na compra e R$ 5,080 na venda, depois de ter encerrado a sessão de sexta-feira com alta de 0,50%, a R$ 5,1296. Já o dólar futuro para outubro, contrato mais negociado na B3, caía 1,01%, a R$ 5,101.
O Banco Central também realizou, às 11h30, um leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolar o vencimento previsto para 1º de outubro. Esse instrumento funciona como uma operação de proteção contra oscilações do câmbio e ajuda a oferecer liquidez ao mercado, sem representar necessariamente uma venda direta de dólares das reservas.
Inflação dos EUA pode mudar o rumo dos juros
No exterior, os investidores aguardam os próximos dados de inflação dos Estados Unidos, que serão divulgados antes da reunião do Federal Reserve marcada para 15 e 16 de setembro. O relatório de emprego conhecido na sexta-feira veio acima do esperado e elevou para aproximadamente 60% a probabilidade de uma alta de juros pelo Fed neste mês.
Juros maiores nos Estados Unidos tendem a fortalecer o dólar globalmente, porque aumentam o retorno de investimentos em ativos americanos e podem reduzir o fluxo de recursos para países emergentes. O presidente do Fed, Christopher Waller, afirmou que a trajetória da inflação será decisiva: se os preços continuarem desacelerando, ele tende a defender a manutenção das taxas; caso contrário, apoiaria uma elevação.
Risco externo e inflação brasileira seguem no radar
As tensões geopolíticas no Golfo também influenciaram as decisões dos investidores. Ataques atribuídos aos houthis, grupo apoiado por Teerã, atingiram instalações de energia e cidades na Arábia Saudita, deixando mais de 70 feridos e aumentando o temor de agravamento do conflito com o Irã.
O petróleo Brent permanecia acima de US$ 99 por barril, perto da máxima em seis semanas. Uma commodity mais cara pode elevar custos de transporte e produção e dificultar a queda da inflação, além de reduzir o espaço para cortes de juros em diversos países.
O que observar depois da queda do dólar
No Brasil, o boletim Focus elevou de 4,53% para 4,60% a previsão para o IPCA acumulado em 12 meses. Para 2026, a projeção passou de 5,01% para 5,00%, ainda acima do teto de 4,5% da meta; para 2027, subiu de 4,28% para 4,29%.
Abaixo de R$ 5,10, o dólar reduz, em tese, a pressão sobre produtos importados e alguns custos industriais, mas a cotação diária não determina sozinha os preços ao consumidor. Para quem investe ou acompanha a economia, os próximos pontos de atenção são as pesquisas eleitorais, os dados de inflação dos EUA, o petróleo e a evolução das tensões institucionais domésticas.
