O dólar à vista avançou para R$ 5,1680 nesta segunda-feira (14), alta de 0,83%, e chegou a ser negociado a R$ 5,1830, com ganho de 1,12%. A moeda superou o nível de R$ 5,1638 registrado anteriormente, em um movimento alimentado por incertezas eleitorais no Brasil e pela maior busca global por proteção em dólar.

Disputa eleitoral aumenta a cautela no mercado

No ambiente doméstico, investidores acompanham o chamado “trade eleitoral”, expressão usada para descrever ajustes nos preços de ativos conforme mudam as expectativas para a eleição presidencial. Os desdobramentos do Caso Master, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e possíveis novas informações envolvendo o filme “Dark Horse” e o candidato Flávio Bolsonaro estão entre os fatores monitorados.

Levantamentos recentes mostram uma disputa apertada. A pesquisa BTG Pactual/Nexus apontou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, por 47% a 46%. Já a Quaest mostrou o senador com 42%, contra 40% do presidente; na rodada anterior, os dois apareciam empatados em 41%.

Algumas casas de investimento, como Mar Asset, Ace Capital, Ibiuna Investimentos e Ativa Investimentos, passaram a apontar Flávio como possível vencedor. Essas projeções influenciam as expectativas sobre uma eventual mudança de governo e podem aumentar a oscilação do câmbio, especialmente quando combinadas com incertezas institucionais.

Petróleo e conflitos elevam a procura pela moeda americana

No exterior, o índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,47%, aos 99,588 pontos, por volta das 11h50 de Brasília. O avanço indica que a valorização da moeda não se restringia ao real.

O petróleo Brent, referência internacional, operava próximo de US$ 110 por barril após novos ataques do Irã atingirem um oleoduto da Arábia Saudita no Estreito de Ormuz. A interrupção do escoamento e o adiamento de uma reunião de países do Golfo Pérsico sobre uma rota temporária aumentaram a preocupação com a oferta da commodity.

Quando o petróleo sobe, países importadores podem enfrentar custos maiores com combustíveis e transporte. No Brasil, isso também pode pressionar a inflação e reduzir o apetite por ativos de maior risco, favorecendo a procura por dólar.

Juros dos Estados Unidos pesam sobre ativos brasileiros

O rendimento do Treasury de dez anos, título do governo americano usado como referência global, superou 5% nesta manhã, no maior nível desde meados de 2023. Taxas mais altas nos Estados Unidos tornam os títulos americanos relativamente mais atrativos e podem retirar recursos de mercados emergentes, como o brasileiro.

O mercado passou a precificar quase 90% de probabilidade de o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, elevar os juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira (16). Se confirmado, o intervalo da taxa básica americana passaria para 3,75% a 4,00%, após dados de inflação mais fortes que o esperado.

Para Francesco Pesole, estrategista de câmbio do ING, uma mensagem firme do Fed pode reforçar a relação entre o dólar e os rendimentos dos títulos americanos. Na avaliação dele, o DXY pode permanecer entre 99,50 e 100 pontos no curto prazo.

Ibovespa recua enquanto o câmbio avança

A combinação de petróleo mais caro, juros americanos elevados e incerteza política também pressionava a Bolsa brasileira. O Ibovespa recuava 1,13%, aos 185.088,16 pontos, por volta das 11h55.

O mecanismo é direto: ativos de risco tendem a perder atratividade quando aumenta a remuneração dos títulos americanos e cresce a percepção de instabilidade. Nesse cenário, investidores podem reduzir posições em ações e buscar moedas fortes, ampliando simultaneamente a queda da Bolsa e a alta do dólar.

O que observar após a alta desta segunda-feira

O câmbio seguirá sensível aos próximos sinais da corrida presidencial, às notícias sobre o cenário institucional e à evolução dos conflitos no Oriente Médio. Também será decisiva a decisão do Fed em 16 de setembro e, principalmente, o tom usado pelo banco central americano para indicar os próximos passos dos juros.

Para quem investe, a sessão mostra como fatores domésticos e internacionais podem aumentar a volatilidade de ações, títulos e moedas ao mesmo tempo. Para consumidores e empresas, dólar e petróleo mais caros podem elevar custos de importação, transporte e produção, enquanto juros maiores nos EUA tendem a apertar as condições de financiamento no mercado global.

Impacto para a sociedade

A alta do dólar pode encarecer produtos importados, combustíveis e componentes usados pela indústria, além de aumentar a pressão sobre a inflação. O petróleo próximo de US$ 110 por barril também eleva o risco de custos maiores para transporte e energia, enquanto juros mais altos nos Estados Unidos podem encarecer o crédito internacional.