O dólar à vista opera em alta nesta segunda-feira (10), cotado a R$ 5,098 na venda por volta das 11h36. O movimento ocorre em um dia de cautela antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, na quarta-feira (12), e logo após os dados fracos de emprego americano da sexta-feira. No radar também está o risco geopolítico no Estreito de Ormuz, que afeta o preço do petróleo e leva investidores a buscar proteção.

Qual é a cotação do dólar hoje

Às 11h36, o dólar comercial subia 0,28%, a R$ 5,097 para compra e R$ 5,098 para venda. O dólar futuro para setembro, contrato mais negociado na B3, avançava 0,29%, aos R$ 5,126.

A alta é moderada, mas suficiente para mostrar que o mercado não está confortável em assumir risco antes dos dados de inflação americanos e das decisões de política monetária no Brasil.

Por que o CPI dos EUA ganhou ainda mais peso

O relatório de empregos dos Estados Unidos divulgado na sexta-feira mostrou perda inesperada de vagas em julho e revisão para baixo nos ganhos dos dois meses anteriores. Com isso, diminuíram as expectativas de um novo aumento de juros pelo Federal Reserve.

Esse cenário aumenta a importância do CPI de quarta-feira. Economistas estimam alta de 3,4% em julho, na base anual, contra 3,5% no mês anterior. Se a inflação americana vier fora do esperado, muda a leitura sobre os próximos passos do Fed e, consequentemente, a direção do dólar no mundo.

Estreito de Ormuz no radar

No cenário externo, o Irã afirmou no domingo que um acordo com Omã sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz está em fase final de negociação. O país, porém, reiterou que a hidrovia só será reaberta quando os Estados Unidos cumprirem outras condições.

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais sensíveis do comércio global de petróleo. Qualquer sinal de interrupção ou atraso na normalização tende a aumentar a aversão a risco e a fortalecer moedas consideradas portos seguros, como o dólar, diante de moedas emergentes como o real.

Brasil: Copom, IPCA e Focus

No Brasil, a agenda ganha peso a partir de amanhã. Na terça-feira (11), o mercado acompanha a ata da última reunião do Copom, em que a Selic foi reduzida para 14% ao ano, e o IPCA de julho. Esses dois eventos ajudam a calibrar o ritmo dos próximos movimentos de juros no país.

Juro menor tende a aliviar o custo do crédito e estimular o consumo, mas também reduz a rentabilidade de novas aplicações em renda fixa quando comparadas com os títulos contratados antes do corte. Na bolsa, a queda da Selic costuma melhorar a atratividade das ações, porque fica mais barato para as empresas se financiarem — embora o cenário fiscal possa limitar esse efeito.

O Boletim Focus divulgado hoje manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 no fim de 2026 e a da Selic em 13,75% ao ano. A estimativa para o IPCA deste ano passou de 5,03% para 5,02%, e a do PIB caiu de 1,99% para 1,98%. Para 2027, a previsão de inflação ficou em 4,22%, e a de crescimento recuou de 1,57% para 1,52%.

O que acompanhar nos próximos dias

Fora da política monetária, a corrida eleitoral e as incertezas fiscais seguem no radar. Pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostram uma disputa presidencial mais apertada, enquanto a campanha começa a ganhar corpo com os primeiros debates estaduais. Um ambiente político mais tenso tende a aumentar a cautela dos investidores e pressionar o câmbio.

Na prática, os próximos dias serão definidos por três eventos: a ata do Copom e o IPCA na terça-feira, e o CPI americano na quarta-feira. Para quem investe, a combinação de juros, inflação e câmbio mexe com a atratividade de renda fixa, bolsa e estratégias de proteção contra o câmbio. Para quem consome, um dólar mais caro encarece importados e pode contaminar a inflação. O caminho, porém, ainda depende das eleições e do desenho da política fiscal.

Impacto para a sociedade

O câmbio mais alto encarece produtos importados, combustíveis e viagens, com impacto direto sobre a inflação e o custo de vida. As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, que ganham novos sinais nesta semana, também influenciam o crédito, o consumo e o emprego — por isso os dados de Copom, IPCA e CPI são relevantes para o bolso do brasileiro comum.