O dólar opera em alta de cerca de 1% nesta terça-feira (11), cotado a R$ 5,163 na venda, após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, que veio acima do esperado, e de uma pesquisa eleitoral que ampliou a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. O movimento reflete a percepção de maior risco político e a expectativa de que o Banco Central precise agir de forma mais firme para conter a inflação, enquanto investidores também acompanham o impasse no Oriente Médio.

O que dizem os números do IPCA

O IPCA subiu 0,07% em julho de 2026, acumulando alta de 4,44% em 12 meses. O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que projetava variação de 0,03% no mês e de 4,40% no acumulado. Embora a leitura seja de inflação relativamente contida no curto prazo, a surpresa para cima reforça o temor de que pressões pontuais, como os preços de alimentos e combustíveis, possam se espalhar para outros setores da economia.

O Banco Central já havia alertado, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), sobre a possibilidade de choques relacionados ao petróleo e a efeitos climáticos gerarem impactos indiretos sobre a inflação. A autoridade monetária afirmou que, nesse cenário, seria necessária uma “reação firme” da política de juros, demonstrando preocupação também com uma inflação pressionada pela demanda, especialmente diante de medidas de estímulo adotadas pelo governo.

Pesquisa eleitoral aumenta prêmio de risco

A alta do dólar se intensificou após a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto que mostrou ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Segundo analistas, o mercado enxerga com preocupação a possibilidade de um cenário fiscal mais expansionista, o que aumenta o prêmio de risco exigido para segurar ativos brasileiros.

“Pela reação dos mercados financeiros, observa-se que uma parcela relevante dos operadores avalia positivamente uma alternância na Presidência, na expectativa de que um eventual próximo governo possa adotar uma política fiscal mais responsável”, explica Leonel Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX. Ou seja, quanto maior a vantagem do candidato da situação, maior a cautela dos investidores com a trajetória das contas públicas.

Ata do Copom e impacto nos juros

A ata do Copom divulgada pela manhã trouxe tom mais duro, indicando que o Banco Central não hesitará em elevar a Selic se a inflação mostrar sinais de persistência. A combinação de IPCA acima do previsto com a sinalização de uma política monetária mais contracionista tende a sustentar o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o que normalmente atrairia fluxo para o real. No entanto, o risco político e externo tem pesado mais no curto prazo.

Para o investidor, o cenário aponta para maior volatilidade tanto no câmbio quanto na renda fixa, com as taxas de juros futuros podendo oscilar conforme a trajetória da inflação e das decisões do Copom.

Oriente Médio e petróleo no radar

No exterior, o dólar tinha pouca variação, mas o mercado monitora o impasse entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo de paz e a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo global. O presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou novas exigências a Teerã, incluindo indenizações por mortes em guerras e conflitos, o que pode dificultar o avanço das negociações e manter os preços do petróleo elevados.

O aumento do petróleo pressiona a inflação doméstica, especialmente por meio dos combustíveis, e potencializa o repasse cambial para os preços. Esse efeito contribui para a cautela dos investidores e reforça a expectativa de que o Banco Central mantenha a política monetária contracionista por mais tempo.

O que esperar para os próximos dias

O câmbio deve seguir sensível a novidades sobre o cenário eleitoral, à evolução das tensões no Oriente Médio e aos próximos dados de inflação. Para quem investe ou planeja consumo, a recomendação é acompanhar as sinalizações do Banco Central e as pesquisas eleitorais, pois ambos os fatores devem orientar a trajetória dos juros e do dólar nas próximas semanas.

Se a inflação continuar acima do esperado, o Copom pode ser forçado a elevar a Selic, o que tende a valorizar o real no médio prazo, mas também encarece o crédito e reduz o ritmo da atividade econômica. No curto prazo, a combinação de riscos internos e externos deve manter o dólar pressionado, com reflexos diretos nos preços de bens importados e na renda das famílias.

Impacto para a sociedade

A alta do dólar e a inflação acima do esperado pressionam o custo de vida, especialmente de itens importados e combustíveis. Isso pode levar o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo, encarecendo o crédito e reduzindo o poder de compra das famílias. O movimento cambial também afeta diretamente quem viaja para fora do país ou possui dívidas em moeda estrangeira.