O dólar fechou em alta de 0,89%, a R$ 5,220, nesta quinta-feira (1º), enquanto o Ibovespa avançou 0,46%, aos 187.197,46 pontos. O movimento ocorreu com o petróleo acima de US$ 100 por barril, tensão no Oriente Médio e cautela às vésperas do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (4).

Petróleo e cenário eleitoral dividiram a atenção

No mercado de câmbio, a moeda americana oscilou entre R$ 5,170 e R$ 5,237 antes de encerrar o pregão a R$ 5,220. A busca global por proteção, em meio às tensões geopolíticas e aos juros elevados no exterior, favoreceu o dólar. No Brasil, a proximidade da eleição também manteve investidores cautelosos.

Parte da alta também devolveu a queda registrada pelo dólar na sessão anterior. A moeda é influenciada por fatores externos e domésticos: quando aumenta a incerteza, investidores podem buscar ativos considerados mais seguros, enquanto dúvidas sobre o cenário político local podem pesar sobre os ativos brasileiros.

Conflito no Oriente Médio sustenta o petróleo

O Brent para dezembro terminou o dia em alta de 4,37%, a US$ 102,31 por barril; o WTI para novembro subiu 2,71%, a US$ 92,87. O avanço refletiu preocupações com o abastecimento, após novos ataques no estreito de Ormuz, onde petroleiros foram atingidos por projéteis.

O Irã afirmou que, se suas exportações continuarem bloqueadas, nenhum outro país da região conseguirá exportar petróleo. Também há relatos de que os Estados Unidos avaliam retomar ataques ao Irã depois das eleições de meio de mandato no país. O risco de interrupção da oferta ajuda a explicar a alta da commodity.

Petrobras ajudou a levar a Bolsa ao azul

O Ibovespa variou entre 184.767,78 e 187.436,73 pontos e movimentou R$ 26,2 bilhões. As ações da Petrobras acompanharam a valorização do petróleo: PETR3 subiu 1,80% e PETR4 avançou 1,32%. A Vale também terminou no positivo, com alta de 0,56%.

O desempenho, porém, não foi uniforme. Entre os bancos, Itaú recuou 0,26%, Banco do Brasil caiu 0,22% e as units do Santander perderam 2,96%. As ações do Bradesco fecharam com alta de 0,32%. Em Nova York, as bolsas terminaram perto da estabilidade, enquanto a pressão dos juros no exterior e a cautela eleitoral limitaram os ganhos no Brasil.

Juros longos refletem receio com inflação

O petróleo mais caro pode elevar custos de combustíveis e pressionar a inflação. No Brasil, as taxas dos contratos de juros futuros subiram principalmente nos prazos mais longos, com altas superiores a 10 pontos-base. Esse movimento também refletiu os juros internacionais e a percepção de risco fiscal e eleitoral.

As taxas de longo prazo importam porque influenciam o custo de financiamento e as condições de crédito. No leilão de títulos do Tesouro realizado nesta quinta, a demanda pelos papéis mais longos foi descrita como mais fraca. Já as taxas de curto prazo ficaram mais estáveis, acompanhando as expectativas sobre o ciclo da Selic.

Eleição e oferta de petróleo ficam no radar

Uma pesquisa divulgada nesta quinta mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno: 45% a 46%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula aparecia com 43% e Flávio, com 39%. A proximidade da votação mantém o cenário político entre os fatores acompanhados pelo mercado.

Para quem investe, consome ou trabalha, a alta do dólar e do petróleo é um sinal de pressão potencial, não uma garantia de reajustes imediatos. Se o encarecimento das commodities persistir, pode chegar a custos de energia, transporte e produtos importados. Os próximos pregões devem refletir a evolução das tensões no Oriente Médio e a reação dos mercados ao resultado eleitoral.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode pressionar os custos de combustíveis e, se persistir, contribuir para a inflação no Brasil. O dólar mais caro também encarece produtos e insumos importados, mas a variação de um único dia não significa reajuste imediato nas contas ou nos preços ao consumidor.