O dólar à vista abriu e seguiu em queda nesta segunda-feira (17), influenciado pelo enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior e por fatores domésticos, como a nova pesquisa eleitoral, a expectativa por dados do varejo e o resultado do IBC-Br. Perto das 9h22, a moeda recuava 0,21%, a R$ 5,209 na venda, depois de registrar a maior sequência de altas diárias do ano.
Exterior mais favorável reduz pressão sobre o real
A queda do dólar no mercado internacional ajuda a explicar o movimento positivo do real. Quando a moeda dos Estados Unidos perde força diante de outras divisas, diminui, em geral, a pressão sobre moedas de países emergentes, como o real. Esse ambiente pode reduzir a busca por proteção em dólar e favorecer operações que envolvem ativos brasileiros.
Na B3, o dólar futuro para o primeiro vencimento recuava 0,10%, cotado a R$ 5,228. Esse contrato é uma referência para negociações futuras e pode reagir tanto às expectativas sobre a economia brasileira quanto às condições financeiras internacionais.
Pesquisa eleitoral mantém preocupação com as contas públicas
A pesquisa Quaest divulgada na sexta-feira (14) voltou a apontar liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a aproximação das eleições, o resultado alimenta a avaliação dos investidores sobre os possíveis rumos da política econômica e das contas públicas.
A preocupação fiscal costuma afetar o câmbio porque dúvidas sobre o controle de gastos podem aumentar a percepção de risco do país. Nesse cenário, investidores podem exigir mais retorno para manter recursos em ativos brasileiros ou buscar proteção em moeda estrangeira. Nesta manhã, porém, esse fator era contraposto pelo ambiente externo mais favorável e pela leitura dos indicadores de atividade.
IBC-Br mostra expansão no trimestre apesar da queda em junho
O IBC-Br, índice do Banco Central usado como sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,6% em junho, na comparação com maio, já descontados os efeitos sazonais. O resultado veio pior do que a expectativa de economistas, que apontava retração mensal de 0,53%.
Apesar da piora no dado mensal, a atividade econômica cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano. A combinação de expansão trimestral com perda de ritmo em junho deixa uma leitura mista: a economia ainda avançou no período, mas terminou o trimestre com sinais de desaceleração.
Varejo e leilões do Banco Central entram no radar
Os agentes também acompanham os próximos dados do varejo brasileiro, que podem ajudar a indicar a força do consumo e o ritmo da atividade. Números mais fortes tendem a sustentar a percepção de uma economia aquecida; sinais de perda de fôlego podem reforçar a avaliação de desaceleração sugerida pela queda do IBC-Br em junho.
O Banco Central realizará às 10h30 dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, no valor total de até US$ 1 bilhão. A operação tem como objetivo rolar o vencimento previsto para 2 de setembro. Nesse tipo de leilão, o BC fornece dólares ao mercado agora e assume o compromisso de recomprá-los posteriormente, ajudando a administrar a liquidez sem representar, necessariamente, uma mudança permanente nas reservas.
O que observar após a queda desta manhã
O recuo do dólar ocorre depois de uma sequência de altas, mas ainda representa uma variação pequena no pregão. Para os investidores, a direção da moeda continuará dependente do equilíbrio entre o ambiente externo, as expectativas para as contas públicas e os novos indicadores de atividade.
Para empresas e consumidores, o câmbio influencia o custo de produtos importados, insumos e serviços ligados ao exterior, embora uma oscilação diária isolada não determine sozinha os preços. O mercado também acompanhará a reação aos leilões do BC, aos dados do varejo e à evolução do cenário eleitoral antes de formar uma tendência mais firme para o real.
