Com o dólar à vista perto de R$ 5,20 no último pregão antes do primeiro turno, neste domingo (4), bancos projetam uma reação expressiva do câmbio às urnas: a moeda poderia recuar para uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80 se o resultado sinalizar mudança de governo, ou se aproximar de R$ 5,80 caso fortaleça a perspectiva de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As expectativas também alcançam os juros futuros, num cenário em que a disputa com Flávio Bolsonaro (PL) é considerada apertada.
Projeções para o dólar dependem do sinal das urnas
As estimativas de queda do dólar são condicionais a um resultado que o mercado interprete como favorável a uma mudança de governo. O Goldman Sachs considera possível uma cotação entre R$ 4,50 e R$ 4,80; o Wells Fargo projeta R$ 4,75, e o JPMorgan, R$ 4,80. São cenários de mercado, não garantias sobre a cotação que será observada depois da votação.
Na direção oposta, uma vantagem de Lula no primeiro turno que reforce a possibilidade de reeleição poderia levar o dólar para perto de R$ 5,80, segundo as projeções citadas. O contraste mostra por que a eleição é vista como um fator capaz de mudar rapidamente as expectativas sobre o país e a disposição dos investidores para manter recursos em ativos brasileiros.
Parte dos investidores já se posiciona antes da votação
O Citi informou que buscava exposição a uma valorização do real, mas pretendia preservar espaço para ampliar essa posição caso Flávio Bolsonaro vença. A avaliação é que parte da incerteza pode diminuir após o primeiro turno, embora o resultado não encerre a disputa presidencial.
Esse posicionamento antecipado reflete uma aposta sobre como os preços podem reagir, não uma previsão certa do resultado eleitoral. Se muitos investidores esperarem a mesma direção para o câmbio, uma surpresa nas urnas pode provocar movimento contrário e aumentar a oscilação nos dias seguintes.
Juros futuros podem cair se o resultado for bem recebido
Além do dólar, o Goldman Sachs vê espaço para uma reação na curva de juros, que reúne as taxas negociadas para diferentes prazos e ajuda a mostrar o que o mercado espera para os juros no futuro. O banco calcula que há um prêmio residual médio de 80 pontos-base entre os vencimentos de dois e dez anos — o equivalente a 0,8 ponto percentual — que poderia diminuir se o resultado for considerado favorável ao mercado.
A queda das taxas futuras poderia ir além do ajuste inicial, segundo a análise. O banco aponta espaço para redução do valor considerado adequado para toda a curva e para um achatamento dos juros mais longos, especialmente se uma Selic menor reduzir as despesas do governo com juros. Isso é uma possibilidade condicionada ao cenário, não uma decisão já tomada pelo Banco Central.
Risco de alta nas taxas continua no radar
O cenário contrário também está na mesa: se o resultado for entendido como continuidade do quadro político e fiscal atual, investidores podem vender títulos públicos, pressionando seus preços para baixo e as taxas para cima. O banco considera esse risco limitado, mas reconhece que a reação dependerá da leitura do mercado sobre as perspectivas para a política econômica e as contas públicas.
Como referência, os estrategistas mencionam um movimento de 5 de dezembro de 2025, quando notícias sobre o nome escolhido pela oposição foram interpretadas como redução da chance de mudança política e fiscal. O episódio, apelidado de “Flávio Day”, mostra que as taxas podem se mover com a mudança das expectativas, mesmo antes de uma alteração concreta na política econômica.
O que acompanhar no câmbio e nos investimentos
Para quem investe, o resultado do domingo e a reação do mercado nos pregões seguintes serão importantes para entender se as projeções se confirmam ou mudam. No caso da renda fixa, taxas futuras mais baixas podem influenciar o retorno oferecido por novos títulos e o valor de papéis já negociados; uma alta pode produzir o efeito oposto. O impacto varia conforme o tipo de investimento e o prazo.
Para quem consome, o dólar perto de R$ 5,20 não significa que os preços vão mudar automaticamente na segunda-feira. Uma moeda mais cara pode elevar custos de itens importados e pressionar a inflação, enquanto uma queda pode aliviar essa pressão com o tempo. A eleição pode mexer com as expectativas, mas a cotação efetiva e os efeitos sobre preços dependerão dos acontecimentos após o primeiro turno.
Impacto para a sociedade
Uma alta ou queda do dólar pode influenciar o custo de produtos importados e pressionar ou aliviar a inflação, embora esse efeito não apareça necessariamente de imediato. As mudanças nos juros futuros também afetam as expectativas para o crédito e os investimentos de renda fixa.
