O dólar à vista fechou em alta de 0,47%, a R$ 5,1931, nesta quinta-feira (24), depois de passar boa parte da sessão perto de R$ 5,17. A moeda chegou a R$ 5,1653 pela manhã e alcançou R$ 5,2020 à tarde, encerrando no maior valor desde 28 de agosto. O avanço refletiu a força do dólar no exterior e a cautela dos investidores com juros nos Estados Unidos e a eleição brasileira.

Juros americanos pressionaram o real

A valorização ganhou força no fim da manhã, junto com a alta dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos, os Treasuries. A preocupação com a inflação americana e a possibilidade de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central do país, favorecem ativos em dólar e podem reduzir o interesse por moedas de mercados emergentes, como o real.

Esse movimento também apareceu em outras divisas: o peso colombiano, o peso mexicano e o rand sul-africano perderam terreno ante a moeda americana. O índice do dólar, que compara a divisa com uma cesta de seis moedas, subia 0,14% no fim da tarde. O fortalecimento dos Treasuries, portanto, não foi um fator restrito ao Brasil.

Expectativa de Selic menor também entrou no radar

No Brasil, o Banco Central reduziu de 2% para 1,8% sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,4%. A atividade mais fraca é apontada por analistas como um fator que pode abrir espaço para novos cortes da Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Uma Selic menor tende a diminuir o rendimento oferecido por aplicações de renda fixa atreladas aos juros e pode reduzir o custo de empréstimos, embora o efeito sobre o crédito dependa também de outros fatores. Para o câmbio, a diferença entre os juros brasileiros e americanos importa: se ela diminui, investimentos no Brasil podem se tornar relativamente menos atraentes, reduzindo uma fonte de demanda por reais. A taxa dos Estados Unidos está na faixa de 3,75% a 4%.

Banco Central vendeu US$ 1 bilhão

O Banco Central realizou dois leilões de linha, operações em que vende dólares com compromisso de recomprá-los, e colocou US$ 1 bilhão no mercado. Esse tipo de intervenção aumenta a oferta de moeda estrangeira e a liquidez, mas não elimina necessariamente a pressão de fatores externos ou a saída de recursos.

O fluxo cambial brasileiro acumulava saldo negativo de US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18, conforme dado divulgado na véspera. Os investidores também acompanhavam a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que apareciam tecnicamente empatados nas pesquisas mais recentes. Um novo levantamento do Datafolha estava previsto para o início da noite.

Bolsa caiu e petróleo avançou

O pregão também foi negativo para a bolsa brasileira. O Ibovespa recuou 0,99%, aos 183.965,91 pontos, e perdeu a marca dos 184 mil pontos. Bancos como Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e Itaú caíram; o Santander foi exceção entre os grandes, com alta de 0,51%.

O petróleo subiu, mas as ações da Petrobras fecharam em queda: os papéis ordinários recuaram 0,86% e os preferenciais, 0,69%. Em Nova York, os índices terminaram sem direção única: Dow Jones caiu 0,31%, S&P 500 recuou 0,02% e Nasdaq avançou 0,01%. Os juros globais e a trajetória do Fed seguiram entre as principais referências para os mercados.

O que acompanhar nos próximos dias

Para quem investe, o fechamento do dólar mostra como expectativas sobre juros e política podem se refletir rapidamente no câmbio, mas uma sessão isolada não define uma tendência. A moeda terminou o ano com queda acumulada de 5,39%, apesar da alta do dia. O dólar futuro para outubro subia 0,52%, a R$ 5,1985, às 17h04.

Nos próximos pregões, investidores devem acompanhar novos sinais sobre a inflação e os juros nos Estados Unidos, as projeções econômicas brasileiras e as notícias da eleição. Para consumidores e empresas, uma alta persistente do câmbio pode encarecer produtos e insumos importados; o movimento de um único dia, porém, não permite concluir que esses preços já mudarão.