O dólar à vista fechou a quinta-feira (8) a R$ 5,0241, com alta de 0,26%, depois de ganhar força na reta final do pregão e se descolar da queda da moeda americana no exterior. No mesmo dia, o Ibovespa avançou 0,94%, a 206.220,24 pontos, em meio à repercussão de pesquisas sobre o segundo turno da eleição presidencial e à atenção dos investidores aos juros dos Estados Unidos e ao petróleo.

Dólar avançou no fim do pregão, apesar da queda global

O movimento do câmbio brasileiro destoou do indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas, como euro e libra. Por volta das 17h, o índice recuava 0,14%, enquanto o dólar subia ante o real. A diferença mostra que fatores locais tiveram peso no pregão, além das condições internacionais.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de longo prazo, conhecidos como Treasuries, também permaneceram no radar. Quando esses juros sobem, aplicações nos Estados Unidos podem se tornar mais atraentes e pressionar moedas de países emergentes. No Brasil, esse efeito disputou espaço com a expectativa de entrada de recursos estrangeiros e com a avaliação dos investidores sobre a eleição.

Pesquisa eleitoral influenciou a leitura dos ativos brasileiros

A pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira apontou Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos no segundo turno, contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento foi o primeiro após o primeiro turno, realizado no domingo (4), quando Flávio recebeu 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A votação final está marcada para 25 de outubro.

Expectativas sobre o resultado eleitoral podem alterar a percepção de risco do país e as apostas sobre a política econômica futura. Isso influencia decisões de investidores sobre ações e câmbio. O mercado também acompanhou notícias de que a equipe econômica de Flávio estuda uma proposta de ajuste fiscal com cortes de despesas obrigatórias de cerca de R$ 250 bilhões, aproximadamente 2% do PIB. A medida ainda era tratada como uma possibilidade em estudo.

Ibovespa subiu, com apoio de Petrobras e bancos

O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,94%, aos 206.220,24 pontos, seu maior nível desde abril. As ações da Petrobras acompanharam a valorização de 4% do petróleo: os papéis preferenciais subiram 2,12%, enquanto os ordinários avançaram 3,13%. A alta da commodity também ajudou a sustentar o humor em parte do mercado local.

Os bancos fecharam no positivo, com alta de 0,58% do Índice Financeiro. Na direção contrária, a Vale caiu 1,61%, pressionada pelo recuo superior a 3% do minério de ferro após o feriado na China, além da queda nas exportações brasileiras da commodity em setembro e do aumento do frete para a rota Brasil-China.

Petróleo e bolsas dos EUA reforçaram a cautela externa

O petróleo subiu 4% e ficou acima de US$ 100 por barril, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. A alta beneficia empresas produtoras, como a Petrobras, mas também pode elevar custos de energia e transporte. No caso do dólar, o cenário externo mais incerto contribuiu para a cautela, embora a moeda tenha recuado frente à cesta global.

Em Wall Street, os índices terminaram sem direção única: o Dow Jones subiu 0,10%, enquanto o S&P 500 caiu 0,47% e o Nasdaq recuou 1,25%. A queda deste último refletiu uma nova rodada de perdas em ações de tecnologia, em um ambiente de juros dos títulos americanos elevados.

O que acompanhar depois da alta do dólar

A cotação de R$ 5,0241 representa a variação de um pregão e, por si só, não define uma tendência para o câmbio. Para quem investe, o fechamento mostra como as expectativas eleitorais podem influenciar os ativos locais junto com fatores externos. A valorização do petróleo e os rendimentos dos Treasuries seguem entre os elementos que podem alterar esse equilíbrio.

O próximo dado político relevante previsto para a noite de quinta-feira era a primeira pesquisa Datafolha sobre o segundo turno após a votação inicial. Os investidores também devem acompanhar novas informações sobre propostas fiscais dos candidatos e a evolução dos mercados internacionais. Esses fatores podem afetar a percepção de risco e a procura por ativos brasileiros nos próximos pregões.