O dólar à vista fechou esta terça-feira (6) a R$ 4,9756, com queda de 0,52% e na menor cotação desde abril. O Ibovespa também recuou 0,52%, depois da forte alta do pregão anterior, em um movimento de realização de lucros; o euro também caiu. A combinação mostra que o avanço recente da bolsa não se repetiu, enquanto o real continuou a se fortalecer frente à moeda americana.
Dólar abaixo de R$ 5 acompanha leitura sobre as eleições
A queda do dólar prolongou o movimento observado na segunda-feira (5), quando investidores passaram a negociar ativos brasileiros considerando a possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa leitura é uma expectativa do mercado, não um resultado definido.
O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, avaliou que a baixa do dólar e dos juros futuros refletiu uma reprecificação dos ativos brasileiros. Para o câmbio, também pesa a perspectiva de entrada de capital estrangeiro: quando investidores de fora compram títulos ou ações no Brasil, precisam trocar dólares por reais, o que pode aumentar a procura pela moeda brasileira.
Movimento local destoou do dólar no exterior
A valorização do real ocorreu apesar de o dólar também perder força no mercado internacional. Por volta das 17h, o DXY, índice que compara a moeda americana com uma cesta de seis divisas, entre elas o euro e a libra, caía 0,31%, aos 101,859 pontos. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo também recuavam.
Emerson Junior, da Convexa Investimentos, relacionou a queda do dólar no Brasil a fatores externos e internos, incluindo o recuo da curva de juros — conjunto de taxas negociadas para diferentes prazos. O mercado, porém, ainda busca detalhes dos planos fiscais de Flávio Bolsonaro. As propostas para as contas públicas podem influenciar as expectativas dos investidores e, consequentemente, o câmbio.
Ibovespa devolve parte dos ganhos da segunda-feira
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia aos 205.835,29 pontos. A queda veio após a forte alta da véspera, em uma sessão de negociação intensa: o volume movimentado na segunda-feira chegou a quase R$ 80 bilhões, o maior da história do Ibovespa, segundo a avaliação citada pelo chefe de alocação Gabriel Magno, da AW Capital.
Depois de uma alta expressiva, investidores podem vender parte dos ativos que valorizaram para realizar ganhos. Esse ajuste, chamado de realização de lucros, não exige necessariamente uma notícia negativa sobre cada empresa. Magno considerou o movimento natural após a disparada anterior e disse que o mercado deve seguir atento às notícias de Brasília e a oscilações bruscas nos ativos.
Banco do Brasil e Petrobras pressionam o índice
Entre as ações, o Banco do Brasil caiu 6,57%, a R$ 24,60, após o JPMorgan rebaixar sua recomendação de neutra para venda, embora tenha elevado o preço-alvo de R$ 22 para R$ 23. O banco apontou uma perspectiva mais difícil para a inadimplência no crédito agropecuário e riscos ligados ao El Niño.
A Petrobras também recuou, acompanhando a queda do petróleo: as ações preferenciais caíram 2,78%, a R$ 53,82, e as ordinárias, 1,80%, a R$ 59,31. Na direção contrária, a Minerva subiu 7,40%, a R$ 4,50. O setor financeiro perdeu 0,69%, enquanto a Vale caiu 1,44%, a R$ 70,37.
Investidores aguardam sinais fiscais e a ata do Fed
Enquanto a bolsa brasileira recuava, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, com alívio nos rendimentos dos títulos americanos e expectativa pela ata da última decisão do Federal Reserve, o banco central dos EUA. O S&P 500 avançou 0,58%, aos 7.818,93 pontos; o Dow Jones subiu 0,49%, e o Nasdaq ganhou 0,45%.
Para os próximos pregões, o cenário eleitoral e os detalhes das propostas fiscais permanecem entre os fatores a acompanhar no Brasil. A cotação abaixo de R$ 5 e a queda do Ibovespa são movimentos de um dia, não garantias de continuidade. Para quem investe, a variação das ações e do câmbio reflete expectativas que podem mudar com novas informações; no cotidiano, a oscilação diária, por si só, não determina uma mudança imediata nos preços de produtos ou serviços.
