O dólar à vista subiu 0,25% nesta quinta-feira (13) e terminou o pregão a R$ 5,1930, maior cotação desde o fim de janeiro de 2026. A nova alta ocorreu em meio à continuidade da saída de investidores estrangeiros da B3 e levou o real a se descolar do ambiente internacional, que teve dólar mais fraco e queda dos juros nos Estados Unidos.

Saída de estrangeiros aumenta pressão sobre o real

A retirada de recursos externos da bolsa brasileira reduz a procura por ativos negociados em reais. Quando o investidor estrangeiro vende ações e remete o dinheiro para fora do país, há maior demanda por dólares, movimento que tende a pressionar a cotação da moeda americana.

Esse fluxo ajudou a explicar o comportamento do câmbio nesta quinta-feira. Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a alta do dólar mostrou um leve descolamento do cenário internacional, justamente porque o índice que mede a força da moeda americana recuou no dia.

Relatório dos EUA colocou o Brasil no radar

Também pesou sobre os negócios um relatório divulgado pelos Estados Unidos que incluiu o Brasil entre cerca de 40 países acusados de ajudar a China a driblar tarifas americanas por meio de transbordo ilegal. O mecanismo ocorre quando mercadorias passam por um terceiro país antes de chegar ao destino, numa tentativa de evitar ou reduzir a cobrança de tarifas de importação.

O documento, chamado de “O Grande Esquema do Transbordo”, classificou os países segundo diferentes níveis de ligação com a China. A menção ao Brasil acrescentou uma fonte de cautela para os investidores, que passaram a considerar possíveis efeitos comerciais e diplomáticos, ainda que o material não indique uma medida específica contra o país nesta quinta-feira.

Inflação americana reduziu pressão por juros maiores

O índice de preços ao produtor dos Estados Unidos, conhecido como PPI, ficou estável em julho, depois de cair 0,1% em junho. Em 12 meses, o indicador avançou 4,7%, abaixo da alta anual de 5,5% registrada na leitura anterior.

O resultado também veio abaixo das projeções dos analistas, que esperavam alta mensal de 0,1% e aumento anual de 4,9%. O dado foi interpretado como positivo porque reduz a pressão por uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos e reforça a possibilidade de manutenção dos juros pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Expectativas para o Fed mudaram durante o pregão

Na ferramenta FedWatch, do CME Group, a aposta do mercado para uma eventual alta de juros pelo Federal Reserve migrou de outubro para dezembro. A mudança indica que os investidores passaram a enxergar menor urgência para um aperto monetário nos Estados Unidos.

Esse movimento normalmente favorece moedas de países emergentes, pois juros americanos menos elevados reduzem o incentivo para manter recursos aplicados em ativos denominados em dólar. Ainda assim, o real não acompanhou essa melhora externa, devido principalmente à saída de capital estrangeiro e ao ruído envolvendo a relação comercial entre Brasil, China e Estados Unidos.

O que a alta representa para investidores e consumidores

Para quem investe, a cotação de R$ 5,1930 reforça a importância de acompanhar não apenas o comportamento global do dólar, mas também os fluxos de recursos para a bolsa brasileira e os sinais sobre a percepção de risco do país. Uma moeda americana mais forte pode afetar empresas importadoras, companhias endividadas em dólar e ativos ligados ao mercado externo.

Para consumidores e trabalhadores, o efeito mais direto aparece quando a alta persiste: produtos importados, viagens, equipamentos e insumos cotados em moeda estrangeira podem ficar mais caros. O câmbio também pode pressionar a inflação e influenciar o cenário para os juros brasileiros. A evolução da saída de estrangeiros, novas manifestações dos Estados Unidos sobre tarifas e os próximos dados de inflação americana estarão entre os pontos a observar.

Impacto para a sociedade

A alta do dólar encarece produtos importados e pode pressionar custos de empresas que dependem de insumos comprados no exterior, com possível reflexo sobre os preços ao consumidor. O movimento também pode afetar viagens internacionais e serviços cotados em moeda estrangeira. Se a desvalorização do real persistir, o câmbio pode dificultar a queda da inflação e influenciar as decisões futuras sobre juros.