O dólar à vista caiu 0,62%, para R$ 5,113 na venda nesta segunda-feira (21), acompanhando a fraqueza da moeda americana no exterior e a divulgação de uma nova pesquisa que mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. No mercado acionário, o Ibovespa subia, em um movimento favorecido pela queda do petróleo. A combinação reforça a sensibilidade dos ativos brasileiros ao cenário eleitoral e às condições internacionais.

Dólar futuro também recua na B3

Às 12h42, o dólar futuro para outubro, contrato mais negociado na B3, recuava 0,35%, cotado a R$ 5,139. O dólar comercial era negociado a R$ 5,131 na compra e R$ 5,132 na venda. Na sexta-feira (18), a moeda à vista havia encerrado o pregão com alta de 0,11%, a R$ 5,1451.

A queda desta segunda-feira ocorreu em linha com o movimento global. Quando o dólar perde força diante de outras moedas, a pressão de valorização sobre o real tende a diminuir. No Brasil, porém, o câmbio também reage rapidamente às expectativas sobre inflação, contas públicas e eleições, o que pode ampliar ou limitar o efeito externo.

Pesquisa eleitoral mantém pressão sobre os ativos

A pesquisa BTG/Nexus apontou Lula com 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 45%, configuração considerada empate técnico. O levantamento manteve a possibilidade de um segundo turno entre os dois e veio antes de uma nova pesquisa Quaest, esperada para o início da noite desta segunda-feira.

Nas últimas semanas, pesquisas que mostraram fortalecimento de Flávio, ainda dentro de um empate técnico, foram associadas ao chamado “trade eleitoral”: alta do Ibovespa e queda do dólar e dos juros futuros. Parte do mercado avalia que uma eventual reeleição de Lula dificultaria o controle das contas públicas e, por consequência, o processo de redução da inflação.

Ibovespa sobe com petróleo mais barato

O Ibovespa avançava com o petróleo em queda. A commodity influencia empresas relevantes da Bolsa e também afeta as expectativas para a inflação e o câmbio. Petróleo mais barato pode reduzir custos de combustíveis e de outros produtos ligados à energia, embora também possa diminuir a receita de companhias produtoras.

O movimento da Bolsa, portanto, refletia uma combinação de fatores: menor pressão global do dólar, leitura eleitoral mais favorável para alguns investidores e o comportamento negativo do petróleo. Como o pregão ainda estava em andamento, os preços poderiam mudar ao longo da sessão.

Focus eleva projeção de inflação para 2026

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções para o IPCA de 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, acima do teto da meta de inflação. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,30%; para 2028, em 3,80%; e para 2029, em 3,50%.

A projeção suavizada para a inflação acumulada em 12 meses à frente caiu de 4,65% para 4,62%. A diferença entre as estimativas mantém o debate sobre juros e política fiscal no centro das decisões de investimento, porque expectativas de inflação mais altas tendem a pressionar os juros futuros e encarecer o crédito.

O que acompanhar depois do movimento desta segunda

No exterior, Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago, afirmou apoiar cortes de juros apenas com evidências de que a inflação caminha para a meta de 2%. Para ele, o Fed enfrenta atualmente um problema maior de inflação do que de emprego. A perspectiva sobre os juros americanos influencia o fluxo de recursos para mercados emergentes como o Brasil.

Para quem investe, os próximos pontos de atenção são a pesquisa Quaest, a evolução das expectativas de inflação e as declarações do Fed. Para consumidores e empresas, dólar e petróleo afetam custos de importados, combustíveis e insumos, mas a variação de um único pregão não determina sozinha a trajetória dos preços.