O dólar caiu 4,24%, para R$ 4,994, às 9h48 desta segunda-feira (5), ficando abaixo de R$ 5 após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Lula. A moeda chegou à mínima de R$ 4,974 no início do pregão. O movimento mostra a reação dos investidores ao resultado das urnas e às expectativas para a disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Resultado eleitoral movimenta a cotação

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, recebeu 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, do PT. A vantagem do senador foi de cerca de 2,2 milhões de votos. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha e passou a orientar as negociações do mercado nesta manhã.

Às 9h09, o dólar à vista recuava 4,44%, a R$ 4,985. No mesmo horário, o contrato futuro da moeda para novembro, negociado na B3, caía 4,38%, a R$ 5,023. Esse contrato é uma cotação para uma negociação em data futura e pode diferir do preço do dólar à vista.

O que a queda do dólar sinaliza

O câmbio reage às expectativas sobre o cenário econômico e político. Quando investidores avaliam que os acontecimentos podem alterar riscos ou perspectivas para o país, podem rever suas posições em reais e em dólares. A queda desta segunda-feira ocorreu após a liderança de Flávio no primeiro turno, mas não determina, por si só, como será o resultado final nem a trajetória da moeda nos próximos dias.

A cotação também muda conforme a oferta e a procura por cada moeda. Por isso, uma variação forte no começo do pregão pode perder intensidade ou se aprofundar ao longo do dia. Os valores registrados pela manhã são um retrato daquele momento, não uma previsão de fechamento.

Campanha segue até o segundo turno

Após a apuração, Flávio afirmou que o resultado representava “o fim da era PT” e prometeu acabar com a reeleição caso seja eleito. Lula, por sua vez, disse que começaria imediatamente uma nova campanha para reverter a votação. As falas dão o tom de uma disputa que seguirá no centro das atenções até 25 de outubro.

Além da eleição, investidores acompanham nesta segunda-feira o relatório Focus, do Banco Central, e novos dados econômicos dos Estados Unidos. Esses fatores também podem influenciar a percepção sobre a economia e os mercados, embora o resultado do primeiro turno seja o principal destaque das negociações desta manhã.

O que acompanhar nos próximos dias

Para quem investe, a queda do dólar pode afetar o valor de aplicações expostas à moeda e de ativos ligados ao mercado externo. Mas o movimento de uma sessão não basta para estabelecer uma tendência: novas pesquisas, declarações dos candidatos e indicadores econômicos podem alterar as expectativas até o segundo turno.

Para consumidores e empresas, uma moeda americana mais barata tende a aliviar custos de importação e de insumos cotados em dólar, caso a queda se mantenha. O repasse pode levar tempo e não é automático. O próximo marco político é a votação de 25 de outubro; até lá, a cotação deve continuar sensível às novidades da campanha e às condições econômicas.

Impacto para a sociedade

A queda do dólar pode reduzir custos de produtos importados e de itens com componentes cotados em moeda estrangeira, mas esse efeito não chega automaticamente nem de imediato às prateleiras. O repasse depende de outros custos e de quanto tempo o câmbio permanecer nesse patamar.