O dólar à vista abriu em baixa nesta sexta-feira (14), mas ainda caminha para encerrar a semana em alta depois de quatro sessões consecutivas de valorização. Às 9h05, a moeda recuava 0,26% e era negociada a R$ 5,179 na venda, enquanto o mercado acompanhava novos dados dos Estados Unidos e uma pesquisa eleitoral no Brasil.
Dólar comercial recua no início do pregão
Na abertura, a cotação de compra estava em R$ 5,178 e a de venda, em R$ 5,179. O movimento representa uma interrupção momentânea da sequência de ganhos registrada ao longo da semana, mas ainda não altera a direção acumulada até agora.
O contrato de dólar futuro com vencimento em setembro, atualmente o mais negociado na B3, também operava em baixa. Às 9h05, o recuo era de 0,11%, para R$ 5,196. Esse contrato reflete as expectativas dos participantes para a cotação da moeda até o vencimento e pode se comportar de forma diferente do dólar negociado no mercado à vista.
Quarta alta seguida aumentou a pressão sobre o real
Na quinta-feira (13), o dólar avançou pela quarta sessão consecutiva diante do real. Parte desse movimento esteve associada à redução das posições de investidores estrangeiros em ativos brasileiros, o que diminui a demanda por aplicações locais denominadas em reais e pode pressionar a moeda brasileira.
A alta ganhou força na terça-feira, depois que o JPMorgan rebaixou sua recomendação para o Brasil. Uma avaliação mais negativa de uma instituição financeira relevante pode influenciar decisões de investidores, especialmente quando aumenta a percepção de risco sobre o país ou reduz o apetite por ativos brasileiros.
Pesquisa eleitoral também entra no radar do mercado
As pesquisas eleitorais voltaram a influenciar os negócios depois de reforçarem o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial. Em períodos de maior sensibilidade política, os investidores costumam ajustar posições conforme interpretam os possíveis efeitos de diferentes cenários sobre a política econômica e as contas públicas.
Esse tipo de reação não determina sozinho a cotação do dólar. A moeda também responde ao fluxo de recursos estrangeiros, aos juros praticados no Brasil e nos Estados Unidos, ao ambiente internacional e às expectativas para a economia. Por isso, uma abertura em baixa pode ocorrer mesmo após uma sequência de altas.
Dados dos Estados Unidos podem mudar o rumo do pregão
Os investidores acompanham nesta sexta-feira a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos. Indicadores americanos podem alterar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária do país e, com isso, influenciar o fluxo de recursos entre mercados.
Quando cresce a percepção de que os juros americanos permanecerão elevados, ativos considerados mais arriscados, como os de mercados emergentes, podem perder atratividade relativa. Esse movimento tende a favorecer o dólar, embora a reação dependa também das informações específicas divulgadas e de como elas forem interpretadas.
O que observar até o fim da semana
O ponto principal para o mercado brasileiro nesta sexta-feira é saber se a baixa inicial do dólar se sustenta ou se será apenas uma correção após quatro sessões de valorização. A cotação também pode oscilar conforme investidores reavaliem os dados dos Estados Unidos, a pesquisa eleitoral e o posicionamento de estrangeiros em ativos brasileiros.
Para quem investe, a abertura em queda não representa, por si só, uma mudança definitiva de tendência. Para consumidores e empresas, o câmbio é relevante porque uma alta persistente encarece produtos e insumos importados, mas o movimento desta manhã ainda é restrito ao curto prazo. A trajetória dos próximos pregões dependerá da combinação entre fatores externos, cenário político doméstico e fluxo de recursos para o Brasil.
