O dólar comercial abriu a sessão desta terça-feira (18) em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,2137, depois de encerrar o pregão anterior, na segunda-feira (17), a R$ 5,201. O movimento ocorre enquanto investidores acompanham a nova escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, com possível impacto sobre o petróleo, além da divulgação de dados de atividade econômica norte-americanos ao longo do dia.

Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações

A alta do câmbio está ligada principalmente à piora do ambiente geopolítico no Oriente Médio. O principal negociador iraniano afirmou nesta terça-feira que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington cumpra as condições estabelecidas por Teerã em um acordo provisório.

O estreito é uma rota estratégica para o transporte internacional de petróleo. Por isso, qualquer ameaça à circulação de navios na região pode aumentar a percepção de risco entre os investidores e levar o mercado a acompanhar com mais atenção os preços da commodity e a possibilidade de novas interrupções no fornecimento.

Como o petróleo pode influenciar o câmbio

Quando cresce o temor de uma oferta menor de petróleo, a tendência é de maior instabilidade nos mercados financeiros. O combustível é usado na produção, no transporte e na geração de energia, de modo que uma alta persistente da commodity pode elevar custos para empresas e pressionar a inflação em diferentes economias.

No Brasil, um petróleo mais caro também pode afetar as expectativas para os preços domésticos de combustíveis e para a inflação. Além disso, em momentos de incerteza internacional, investidores costumam reduzir a exposição a ativos considerados mais arriscados e buscar proteção em moedas fortes, o que pode favorecer a valorização do dólar diante do real.

Dados dos Estados Unidos também estão no radar

Além do noticiário geopolítico, os participantes do mercado acompanham os dados de atividade dos Estados Unidos previstos para esta terça-feira. Essas informações ajudam a avaliar o ritmo da maior economia do mundo e podem alterar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária americana.

Indicadores que apontem uma economia mais forte podem sustentar a percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, aumentando a atratividade dos ativos em dólar. Já sinais de desaceleração podem produzir o efeito contrário, dependendo da leitura dos investidores sobre inflação, emprego e a trajetória futura dos juros.

Mercado brasileiro começa o dia sob cautela

O dólar avançou 0,25% na abertura, uma variação relativamente limitada, mas suficiente para mostrar a cautela inicial dos investidores diante das incertezas externas. A moeda havia fechado a segunda-feira a R$ 5,201, e a cotação de R$ 5,2137 registrada perto das 9h representa a reação imediata às novas informações.

As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, começam às 10h. O desempenho das ações ao longo do dia dependerá tanto do comportamento do câmbio e do petróleo quanto da interpretação dos dados de atividade dos Estados Unidos e da evolução das tensões entre Washington e Teerã.

O que acompanhar ao longo desta terça-feira

Para quem investe, os principais pontos de atenção são novas declarações sobre o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, qualquer sinal de alteração no funcionamento do Estreito de Ormuz e os dados econômicos americanos. Esses fatores podem mudar rapidamente as expectativas para o petróleo, o dólar e os juros internacionais.

Para consumidores e empresas, uma alta isolada de 0,25% no dólar não determina, sozinha, mudanças imediatas nos preços. O efeito tende a ser mais relevante se a valorização da moeda e do petróleo persistir, pois o câmbio encarece produtos e insumos importados e pode reforçar pressões sobre a inflação.