As taxas dos contratos de DI recuaram nesta terça-feira (22), apesar da ata do Copom defender a manutenção da política monetária restritiva, com o petróleo em baixa no exterior e o cenário eleitoral brasileiro no centro das decisões dos investidores. O movimento reduziu as projeções de juros futuros, principalmente nos prazos mais longos.

Taxa para 2035 cai 8 pontos-base no fechamento

O DI com vencimento em janeiro de 2028 terminou o dia em 13,475% ao ano, ante 13,528% no ajuste anterior. A queda foi de 5 pontos-base, ou 0,05 ponto percentual. Já o contrato para janeiro de 2035 fechou em 13,95%, contra 14,028% na sessão anterior, recuo de 8 pontos-base.

A trajetória durante o pregão foi marcada por volatilidade. A taxa do contrato de 2035 chegou a 14,085%, alta de 6 pontos-base, ainda pela manhã, mas perdeu força ao longo da tarde, quando o petróleo Brent era negociado abaixo de US$ 99 por barril.

Petróleo mais barato ajudou a reduzir pressão nos juros

A queda do petróleo refletiu a expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O presidente americano Donald Trump afirmou que autoridades dos dois países tiveram uma reunião de três horas e fez declarações consideradas mais otimistas sobre a possibilidade de um entendimento, embora também tenha adotado um tom de ameaça caso não haja acordo.

O petróleo influencia diretamente os combustíveis e pode afetar a inflação. Quando a commodity recua, diminui uma fonte de pressão sobre os preços e, em consequência, pode reduzir a necessidade de juros elevados no futuro. Esse efeito, porém, depende também do câmbio, dos preços domésticos e das decisões da Petrobras.

Pesquisa eleitoral manteve cautela entre investidores

O mercado também reagiu à pesquisa Quaest divulgada na noite de segunda-feira. Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 42% das intenções de voto, contra 41% de Luiz Inácio Lula da Silva. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, há empate técnico.

A redução da vantagem numérica de Flávio em relação à pesquisa anterior, quando Lula tinha 40%, foi recebida negativamente por parte dos investidores. A avaliação predominante é que uma eventual reeleição de Lula poderia dificultar o controle das contas públicas e manter pressões sobre a inflação, enquanto uma vitória de Flávio tenderia a ser vista de forma mais favorável pelo mercado.

Ata do Copom manteve o cenário de juros em aberto

Na ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que a política monetária está contribuindo para a desinflação, mas que a inflação continua pressionada pela demanda. Por isso, o Banco Central defendeu a manutenção do caráter restritivo da taxa básica, atualmente em 13,75% ao ano.

O documento também apontou sinais de arrefecimento da atividade econômica, do crédito e da inflação. Para o próximo encontro, contudo, o cenário permanece aberto: o Banco Central deve acompanhar a eleição, a economia internacional e a política de juros dos Estados Unidos antes de decidir se continuará reduzindo a Selic.

O que muda para investimentos e crédito

A queda dos DIs indica que os investidores passaram a exigir juros menores para determinados prazos, em parte por uma expectativa de inflação mais comportada e de possíveis cortes futuros. Em títulos prefixados, juros de mercado menores tendem a elevar os preços dos papéis já emitidos, embora esse efeito varie conforme o prazo e o risco.

Para consumidores e empresas, uma eventual redução da Selic pode baratear gradualmente empréstimos e financiamentos, mas o repasse não é imediato. A próxima reunião do Copom está prevista para o início de novembro, depois do segundo turno. Na avaliação de especialistas, uma vitória de Flávio poderia abrir espaço para mais dois cortes de 25 pontos-base ainda em 2026; uma vitória de Lula tenderia a deixar o Banco Central mais cauteloso.

Impacto para a sociedade

A queda do petróleo pode aliviar custos de combustíveis e reduzir pressões sobre a inflação, embora esse efeito dependa também do câmbio e dos preços internos. Já a manutenção da Selic em nível elevado encarece empréstimos e financiamentos, enquanto uma eventual trajetória de cortes pode reduzir o custo do crédito ao longo do tempo.